Na edição da semana passada, o Jornal O Fato divulgou matéria sobre o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) 2025, com base nas taxas de aprovação escolar e nas notas da prova do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), aplicadas com alunos do 5º e 9º anos do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio.
O jornal foi buscar informações sobre os investimentos de alguns municípios do Vale do Taquari e concluiu que, nem sempre, os investimentos financeiros mais robustos trazem os melhores resultados nas avaliações, como o IDEB, por exemplo.
No caso de Paverama, os índices da rede municipal, foram 6,1 nos anos iniciais do fundamental e 4,7 nos anos finais. Conforme informações obtidas na Plataforma do Censo Escolar e Tribunal de Contas do RS, em 2025, Paverama teve na rede municipal 1.040 alunos, com orçamento de R$ 14.514.856,97, o que resulta no valor investido por aluno de R$ 13.956,59, ao ano. Cabe dizer que é um cálculo simplificado, levando em consideração apenas o valor investido em educação (salários, transporte, merenda e outros) e os estudantes matriculados.
Em Taquari, com baixo desempenho se considerado o restante da região, os índices foram de 5,3 nas séries iniciais e 4,2 nas séries finais do ensino fundamental da rede municipal. Em 2025, Taquari tinha 1.968 alunos matriculados, com o orçamento do município para educação de R$ 34.813.830,61, resultando o valor anual por aluno R$ 17.689,95.
Em Tabaí, com índice de 6,5 nos anos iniciais e 5,5 nos anos finais do fundamental da rede municipal, teve em 2025 632 alunos matriculados, orçamento de R$ 12.540.594,97 e valor por aluno de R$ 19.842,71.
Fazenda Vilanova atingiu o índice de 6,4 nos anos iniciais e 5,2 nos anos finais da rede municipal. Em 2025, foram 845 alunos matriculados na rede, orçamento de R$ 13.896.555,72 e valor por aluno de R$ 16.445,62.
O semanário ainda buscou informações sobre municípios que tiveram destaque no IDEB no Vale do Taquari. Vespasiano Corrêa, obteve o índice de 7,6 nos anos iniciais do ensino fundamental, ficando em primeiro lugar, ao lado de Travesseiro.
Vespasiano Corrêa, em 2025 teve 198 alunos matriculados, orçamento de R$ 5.676.749,48 e valor por aluno de R$ 28.670,45. Travesseiro com 233 alunos matriculados, investimento de R$ 6.643.053,51 e valor por aluno de R$ 28.510,95.
Em Westfália, com índice de 6,2 nos anos finais do ensino fundamental municipal, teve 423 alunos matriculados, orçamento da educação de R$ 11.144.221,11 e valor investido por aluno R$ 26.345, 67.
Os investimentos são altos, mas cabe observar que o número menor de alunos contribui para uma educação com melhores avaliações.
Resultados do Saeb revelam o que os estudantes aprenderam ao longo da trajetória escolar
Os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) permitem compreender quais conhecimentos e habilidades os estudantes desenvolveram ao longo de sua trajetória escolar, explica a coordenadora pedagógica da 3º Coordenadoria Regional de Educação, a taquariense Patrícia Polônia Fazenda.
Conforme Patrícia, as avaliações de Língua Portuguesa e Matemática são organizadas em escalas de proficiência, compostas por diferentes níveis de aprendizagem. Cada nível corresponde a um conjunto de habilidades que os estudantes demonstram ser capazes de realizar. A interpretação desses níveis varia conforme a etapa avaliada — 5º e 9º anos do Ensino Fundamental e Ensino Médio — e possibilita uma leitura pedagógica mais aprofundada dos resultados.
De acordo com a coordenadora, em Língua Portuguesa, por exemplo, a avaliação tem como foco a leitura. Conforme avança na escala, o estudante demonstra habilidades progressivamente mais complexas, como localizar informações explícitas, reconhecer o assunto de um texto, identificar opiniões, compreender sentidos implícitos, estabelecer relações entre partes do texto e analisar diferentes formas de linguagem.
Na Matemática, os níveis revelam a capacidade dos estudantes de resolver problemas, interpretar informações apresentadas em tabelas e gráficos, realizar cálculos, reconhecer formas geométricas e utilizar conhecimentos relacionados a medidas, proporcionalidade, porcentagem e outras situações presentes no cotidiano.
Patrícia explica que essa leitura permite compreender o significado pedagógico dos resultados. “Quando observamos somente uma nota, não conseguimos enxergar tudo o que ela representa. Cada nível alcançado indica aprendizagens que os estudantes já consolidaram e aquelas que ainda precisam ser fortalecidas. Essa análise orienta o trabalho dos professores, das equipes pedagógicas e da gestão, contribuindo para um planejamento mais direcionado às necessidades de cada escola”, destaca Patrícia.
A escala do Saeb é cumulativa: à medida que o estudante avança, incorpora novas habilidades às que já desenvolveu. Por isso, os resultados não devem ser vistos apenas como uma classificação, mas como um diagnóstico que ajuda a identificar avanços e desafios. “Compreender o que está por trás dos números torna os resultados mais próximos da realidade escolar. Cada nível representa conhecimentos construídos, desafios superados e novas possibilidades de aprendizagem. Mais do que medir o desempenho, o Saeb oferece informações importantes para orientar decisões e fortalecer a qualidade da educação”, salientou Patrícia.

