Taquari lidera percentual de endividados na região

O Jornal O Fato realizou levantamento com base em dados disponibilizados pelo Serasa, referentes ao número de inadimplentes no mês de maio, em 2025 e 2026. De acordo com esse recorte, Taquari possui o maior índice proporcional de inadimplência entre os municípios do Vale do Taquari.

Taquari contabiliza 9.027 consumidores inadimplentes e maio de 2026, o que representa aproximadamente 34,8% da população estimada. Além de liderar o ranking regional, Taquari apresenta um índice significativamente superior ao dos principais municípios do Vale, como Lajeado (30,2%) e Estrela (29,6%).
O valor total da dívida dos taquarienses em maio de 2026 é de R$ 62.788.952,00. Em maio de 2025, havia 7.902 inadimplentes, com uma dívida de R$ 40.793.821,00. O crescimento dos inadimplentes em um ano foi de 14,24% e o crescimento da dívida foi de 53,92%.
Conforme o Serasa, nas dívidas são contabilizados valores de contas luz, água, telefone, bancos, cartões, financeiras, comércio, entre outros. No Vale do Taquari, no mês de maio de 2026, foram registrados 93.872 inadimplentes, com um montante de dívida de R$ 802.712.304,00, em um universo aproximado de 371.337 pessoas. Isso representa que cerca de 25,3% dos moradores do Vale estão com dívidas. No Brasil, conforme o Serasa, a porcentagem de inadimplentes em maio de 2026 foi de 50,85% e o Rio Grande do Sul registrou 46,58% de endividados no mesmo período.

Tabaí

Em contrapartida, Tabaí registra 884 consumidores inadimplentes, em maio de 2026, correspondendo a 19,4% da população estimada, um dos menores índices da região. O percentual é praticamente 15 pontos percentuais inferior ao observado em Taquari, demonstrando realidades bastante distintas entre municípios vizinhos.
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Diretor da CDL analisa os dados do Serasa

O diretor do Serviço Central de Proteção ao Crédito da CDL Taquari/Tabaí, Tiago Klein Viana fez uma análise das informações do Serasa, a pedido do Jornal O Fato. “Os números demonstram que Taquari enfrenta um cenário de maior pressão financeira sobre as famílias, apresentando o maior percentual de inadimplentes entre os municípios analisados. O dado merece atenção do comércio, das instituições financeiras e dos próprios consumidores, uma vez que níveis elevados de inadimplência tendem a restringir o acesso ao crédito, reduzir o consumo e impactar diretamente a economia local”, afirmou Tiago.
Entretanto, em Tabaí, Tiago considera o cenário mais favorável. “Um percentual de inadimplência significativamente inferior à média dos principais municípios do Vale, indicando um menor comprometimento financeiro da população”, acrescentou.
Para o diretor, o principal fator associado ao avanço da inadimplência continua sendo a perda do poder de compra das famílias, combinada com taxas de juros elevadas, aumento do custo de vida e maior comprometimento da renda com despesas essenciais e crédito. “Dificultando a regularização das dívidas”, frisa.

Bets

Tiago cita que um dos fatores de endividamento pode estar relacionados às bets, plataformas de jogos eletrônicos. “Mas não temos dados concretos de qual percentual é relativo às bets, mas podemos dizer que as bets podem ter um percentual bem representativo”, disse Tiago.
De acordo com o “Guia do Serasa: Bets e Apostas Online”, o impacto das bets na economia brasileira e no roçamento da família dos apostadores virou uma preocupação nacional.
“Para mensurar os efeitos do fenômeno, instituições de vários segmentos começaram a fazer pesquisas, estudos e levantamentos. Uma das pesquisas, encomendada pelo Senado Federal e divulgada em setembro de 2024, revela que 42% dos apostadores admitiram estar com dívidas em atraso enquanto destinavam dinheiro às Bets. Mais de 22 milhões de brasileiros estariam utilizando as plataformas de apostas esportivas online, de acordo com o Instituto DataSenado” consta no Guia do Serasa.

Endividada

Uma taquariense que solicitou que sua identidade fosse preservada contou ao jornal que está com muitas dívidas. Revelou que tudo começou com uma dívida de imposto de renda, que acabou atrasando o pagamento dos cartões de crédito, o que resultou em registro negativo no Serasa. “Neste meio tempo, bati em um carro e tive que pagar o valor de R$ 4.800, então está tudo atrasado e estou esperando para poder parcelas as dívidas. Mas os juros abusivos aumentam dia a dia, impossibilitando o pagamento”, considera.
Segundo ela, também fez um empréstimo na modalidade CLT. “E, por fim, não observei adequadamente, e de R$ 30 mil, foi para R$ 75 mil a dívida. Uma exploração com o cliente, pois como é tudo online, as entrelinhas ficam confusas e quando você vê está sem salário, sem recursos e endividado. Para quem é correto, isso é frustrante e deprimente”, desabafou.
Conforme a entrevistada, ela passa noites em claro pensando das dívidas e isso está comprometendo sua saúde mental.

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