34% dos taquarienses não conseguiram pagar todas as suas contas em julho

A pedido do Jornal O Fato, o Serasa realizou o levantamento do endividamento de Taquari em julho de 2026. De acordo com esses dados, 8.884 taquarienses não pagaram todas as suas contas no mês passado, levando em consideração dívidas com cartão de crédito, bancos, aluguel, luz, água, no comércio, entre outras. O total da dívida dos taquarienses devedores em julho foi R$ 65.256.282,00.

A população estimada do IBGE para a população total do município é de 25.968 habitantes, significando que 34,2% da população está com dívidas. Esse percentual pode ser ainda mais preocupante considerando que em estimativa do IBGE há 4.614 taquarienses abaixo dos 14 anos, o que seria uma população não economicamente ativa. Assim, o percentual de endividados subiria para 41%.
E esses números estão em crescimento, considerando julho do ano passado, quando havia 7.337 endividados em Taquari, com uma dívida total de R$ 41.398.298,00. A dívida total subiu 57% em um ano.

Região

Em Tabaí, em julho de 2026, o Serasa registrou 887 inadimplentes, com uma dívida total de R$ 6.652.440,00. Com uma população estimada de 4.569 habitantes, representaria 19,4% de endividados.
No município de Paverama, foram registrados em julho deste ano 1.401 devedores, com um montante de dívida de R$ 8.997.423,00. Com população estimada de 8.146 pessoas, representa 17,2%.
Em Fazenda Vilanova, o número de endividados em julho chegou a 943, com dívida total de R$ 7.769.441,00. O estimado de população é de 4.405 pessoas, o que representa 21,4% de endividados.

Razões das dívidas e como sair delas

O Jornal O Fato realizou entrevista com Fernando Gambaro, especialista do Serasa em Educação Financeira, buscando analisar o cenário do endividamento. Leia a seguir a entrevista na íntegra.

O Fato – Quais são hoje as principais razões que levam uma pessoa ou família a deixar de pagar suas contas: falta de renda, despesas inesperadas, excesso de consumo ou dificuldade de planejamento financeiro? Até que ponto o aumento do custo de vida e o comprometimento da renda com despesas básicas contribuem para o crescimento da inadimplência?
Fernando Gambaro – Segundo uma pesquisa da Serasa de dezembro de 2025, o desemprego continua sendo o principal fator de endividamento entre os brasileiros, citado por 19% dos entrevistados, seguido por gastos inesperados (18%) e pelo hábito de “emprestar o nome” para terceiros (14%). Um dado importante, porém, é que o desemprego como motivo do endividamento caiu 5 pontos percentuais em relação ao ano anterior (2024), o que revela um cenário mais diversificado, com múltiplas causas contribuindo para o endividamento, e não apenas uma razão isolada.
Quando olhamos para o Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa, de julho de 2026, fica claro que as principais dívidas dos brasileiros estão concentradas em bancos e instituições financeiras (47,1%) e contas de consumo (21,1%). No Rio Grande do Sul, o cenário é semelhante ao nacional: as principais dívidas também estão concentradas em bancos e financeiras (45,7%) e contas básicas (18,7%). Isso reforça que a inadimplência não nasce, na maioria das vezes, de gastos supérfluos, mas do comprometimento da renda com obrigações básicas.
Esse cenário é confirmado pela nossa Pesquisa de Custo de Vida, de fevereiro de 2026: o brasileiro gasta, em média, R$ 3.520,00 por mês, sendo que 60% desse valor é destinado a despesas essenciais, como moradia, contas recorrentes e mercado. No Rio Grande do Sul, o custo de vida chega a R$ 3.360,00, valor apenas um pouco inferior à média nacional. Ou seja, os dados mostram que o brasileiro não está simplesmente “gastando à toa”. O desafio está em equilibrar uma renda que, muitas vezes, já nasce comprometida com despesas básicas, deixando pouca margem para imprevistos.

OF – Por que dívidas aparentemente pequenas, especialmente no cartão de crédito e no crédito parcelado, podem se transformar rapidamente em uma “bola de neve”?
FG
– Um levantamento da Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, mostra que o problema, na maioria das vezes, começa no momento da contratação do crédito, por falta de planejamento financeiro. Entre os entrevistados, 37% afirmam ter encontrado taxas de juros mais altas do que esperavam, enquanto 29% relatam que o valor da parcela impactou o orçamento mensal mais do que haviam previsto.
Esse é exatamente o mecanismo por trás do “efeito bola de neve”: uma parcela que parecia caber no orçamento se soma a juros mais altos do que o previsto e, rapidamente, o consumidor perde o controle sobre quanto da sua renda está realmente comprometida. Por isso, reforçamos sempre a importância de simular o valor total da dívida, com os juros incluídos, antes de fechar qualquer contrato, em vez de considerar apenas se a parcela “cabe” no bolso naquele mês.
Além disso, é fundamental entender que o crédito não é uma extensão da renda, mas uma forma de pagamento que pode ajudar no dia a dia, desde que utilizada de maneira planejada e dentro do orçamento.

OF – Existe um componente emocional ou comportamental na inadimplência, como vergonha, medo de negociar ou dificuldade de reconhecer que a situação financeira saiu do controle?
FG
– Sim, e os dados mostram que esse impacto é profundo. Uma pesquisa da Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, revela que 96% dos consumidores afirmam que a inadimplência impede a realização de sonhos e metas pessoais. Além disso, 9 em cada 10 consumidores relatam que as dívidas afetam diretamente sua autoestima e confiança.
Entre os sentimentos mais associados ao endividamento estão a vergonha (22%), a frustração (18%) e a tristeza (14%) – emoções que, muitas vezes, fazem com que a pessoa evite buscar ajuda ou negociar justamente por não querer encarar a situação.
Esse impacto emocional também se traduz em decisões de vida adiadas: 31% dos consumidores deixaram de melhorar seu padrão de vida, incluindo aspectos como moradia e lazer; 27% não conseguiram comprar ou trocar de veículo; e 23% precisaram adiar planos de comprar, alugar ou trocar de casa.
A inadimplência não impacta apenas o orçamento, mas também o bem-estar emocional e a capacidade de planejar o futuro. Quando a renda fica comprometida com dívidas, os sonhos são colocados em pausa e decisões importantes acabam sendo adiadas.

OF – Ao perceber que não conseguirá pagar uma conta, qual deve ser a primeira atitude do consumidor para evitar que a dívida cresça e conseguir recuperar o equilíbrio financeiro?
FG
– Nesse momento, o ideal é começar mapeando todas as dívidas existentes, incluindo valores, credores e vencimentos, para evitar decisões no escuro e conseguir priorizar o que precisa ser pago primeiro.
Geralmente, é mais estratégico começar pelas dívidas com juros mais altos, como cartão de crédito e cheque especial, sem deixar de lado o pagamento de contas essenciais, como moradia, água, energia elétrica e gás, que garantem o básico para a família.
A partir daí, vale reorganizar o orçamento mensal, identificando onde é possível cortar ou renegociar gastos recorrentes para abrir espaço para o pagamento das dívidas. Também é importante buscar a negociação o quanto antes, já que muitas empresas oferecem descontos e condições melhores para a regularização dos débitos.
Outro ponto fundamental é evitar contrair novas dívidas para pagar as antigas, prática que costuma agravar o problema em vez de resolvê-lo. Investir continuamente em educação financeira, entendendo juros, taxas e o impacto real de um parcelamento no orçamento, também é uma das melhores formas de prevenir o endividamento no futuro.
A Serasa disponibiliza gratuitamente conteúdos educativos em seus canais oficiais, como o Blog da Serasa e o canal Serasa Ensina no YouTube.

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