Irmandade de São José celebra 220 anos de fundação em Taquari

A Irmandade de São José, de Taquari, celebra 220 anos de fundação com uma programação especial na Igreja da Matriz São José. A missa festiva será realizada no sábado, 5 de setembro, às 19 horas, reunindo a comunidade para marcar a trajetória da entidade, fundada em 3 de setembro de 1806.

A celebração terá liturgia a cargo da Irmandade de São José. A comunidade é convidada a participar e, como gesto de solidariedade, levar 1 quilo de alimento não perecível.
A programação comemorativa também contará com a apresentação do Coral da AABB Taquari, marcada para quinta-feira, 3 de setembro, às 19 horas, na Igreja da Matriz.
Com o lema “São José, rogai por nós”, a celebração dos 220 anos destaca a história, a fé e a união mantidas pela Irmandade ao longo de mais de dois séculos. A programação é realizada pela Irmandade de São José, com apoio da Paróquia São José de Taquari e Tabaí.

Irmão relata sua trajetória

A pedido do Jornal O Fato, o membro da Irmandade, Clóvis Bavaresco, contou sobre sua trajetória dentro do grupo religioso. Clóvis ingressou na entidade em 1994, convidado pelo já falecido irmão doutor Lauro Pinto. Na época, era o mais jovem entre os integrantes. O convite teve um significado especial para Bavaresco, já que seu avô, Arthur Júlio Schenk, seu pai, Frederico Damião Arnt Bavaresco, e o primo distante João Carlos Voges Cunha também fizeram parte da Irmandade. “Para mim, aquele convite foi muito significativo”, relata.
Segundo Clóvis, muitos dos integrantes que conheceu no início de sua trajetória eram pessoas mais velhas, que inicialmente pareciam distantes de sua realidade. Com o passar do tempo, porém, a convivência fez com que fossem construídos laços de fraternidade.
Bavaresco destaca ainda a importância dos irmãos João Carlos Voges Cunha, Volnei Nonenmaker e Sérgio Noschang, já falecidos, em sua formação dentro da entidade. “Eles me ensinaram tudo que sei em termos de auxílio nas celebrações das missas, novenas e procissões”, recorda.
Entre as lembranças, ele destaca as celebrações realizadas com elementos que, segundo ele, carregavam forte simbolismo, como bastões com velas, baldaquino, lanternas, turíbulo e matracas. “Essas celebrações eram muito mais carregadas de simbologias”, afirma. Para Bavaresco, parte desses elementos acabou caindo em desuso ao longo dos anos.
Em duas oportunidades, Clóvis também assumiu a provedoria da Irmandade. A experiência, segundo ele, permitiu compreender ainda mais a responsabilidade de integrar uma entidade cuja história remonta a 1806. “Isso me fez ver o peso dessa entidade que teve início em 1806, pelo que consta no Livro de Atas”, destaca.
Após mais de três décadas de participação, Bavaresco afirma manter um sentimento de gratidão pela trajetória construída dentro da Irmandade. “Só posso ser grato por fazer parte”, resume.
Para Clóvis, a relação com a entidade também é marcada pela memória dos irmãos que já faleceram e pela preocupação com aqueles que permanecem. Clóvis conta que mantém em suas preces pedidos pela saúde dos irmãos adoentados e pela continuidade da fraternidade entre os integrantes, sob a intercessão de São José.

Tradição e fé: Irmandade de São José preserva patrimônio histórico em Taquari

A história de Taquari está ligada à chegada de sete casais açorianos, por volta de 1764. Em 1765, o local foi elevado à condição de freguesia e recebeu autorização para a construção da igreja matriz. Em 1766, chegou de Portugal uma imagem de São José, esculpida em um único tronco de madeira, com olhos de vidro e pintura original preservada até hoje na sacristia.
As obras da Igreja Matriz São José começaram em 1768 e foram concluídas em 1803. O templo integra um conjunto de edificações religiosas históricas construídas nos séculos XVIII e XIX às margens do rio Jacuí e seus afluentes.
Em 3 de setembro de 1806, foi criada a Irmandade do Santíssimo e Glorioso São José, conhecida como Irmandade de São José. Inspirada nas tradições trazidas pelos açorianos, a entidade reúne fiéis leigos dedicados ao culto do padroeiro e à manutenção da igreja.
Prestes a completar 220 anos de fundação, a Irmandade conta atualmente com 78 membros, chamados de “Irmãos de São José”. Na fundação, eram oito integrantes. Os irmãos participam mensalmente de missa na Igreja Matriz, em cortejo com as tradicionais opas bordôs.
A Irmandade também participa da novena em honra a São José, realizada em março, com celebração principal no dia 19. Todos os dias 19, a comunidade é convidada para momentos de oração, com o Terço de São José e adoração ao Santíssimo Sacramento.
O ingresso na entidade segue critérios tradicionais: o candidato precisa ser indicado por um padrinho e aprovado por unanimidade pelos demais integrantes. Além das atividades religiosas, a Irmandade também atua em ações sociais e pastorais, com foco na caridade e no apoio à comunidade.
A importância histórica da entidade também está registrada em um episódio de 1849, quando Taquari foi elevada à categoria de município. Na ausência de autoridades civis, a Irmandade foi responsável por organizar a primeira eleição local para vereadores, que contou com cerca de 800 eleitores.
Atualmente constituída como associação sem fins lucrativos, a Irmandade trabalha também na preservação da Igreja Matriz São José, que apresenta problemas estruturais provocados pelo tempo, incluindo infestação de cupins e infiltrações. Em 2026, a entidade inscreveu um projeto na Lei de Incentivo à Cultura do Rio Grande do Sul (LIC-RS) para viabilizar a elaboração de um plano arquitetônico de restauração do templo.
Com mais de dois séculos de história, a Irmandade de São José mantém vivas tradições religiosas e culturais e atua na preservação de um dos principais patrimônios históricos de Taquari.
Fonte das informações: Irmandade São José

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