A Prefeitura de Taquari promoveu na tarde de sexta-feira, 17 de outubro, a tradicional Caminhada Outubro Rosa, em alusão ao mês de conscientização sobre a prevenção do câncer de mama e do colo de útero. O evento buscou reforçar a importância do diagnóstico precoce e incentivar hábitos de cuidado com a saúde.
A ação reuniu equipes das unidades de saúde, empresas e voluntários que participaram da mobilização de conscientização, além de mulheres que enfrentam ou enfrentaram o câncer.
Na Praça da Matriz, a programação seguiu com um momento de fala sobre a importância da prevenção. O público também pôde participar de atividades de relaxamento, além de visitar o balcão de informações com orientações sobre exames preventivos e encaminhamento de mamografias.
De acordo com a vice-prefeita, Rosi Santos, a proposta foi unir informação e cuidado em uma mesma ação. “O Outubro Rosa é mais do que uma campanha, é um movimento de empatia, prevenção e valorização da vida. Ao colorirmos a rua principal, queremos lembrar todos os dias que cuidar da saúde é um gesto de amor próprio”, destacou Rosi.
A programação foi realizada pelo Gabinete da Vice-Prefeita, secretarias municipais da Saúde e de Assistência Social.
Isabel Cristina, uma vitoriosa
No dia 15 de outubro, completaram-se 12 anos desde que a professora aposentada Isabel Cristina Duarte Pereira, 54 anos, foi diagnosticada com câncer de mama. Hoje, ela está curada e concedeu uma entrevista ao jornal O Fato.
Isabel Cristina lembra que, em um domingo de manhã, ao acordar, percebeu uma mancha, um hematoma em seu seio direito. Logo, se preocupou e foi consultar seu ginecologista, que solicitou exames de mamografia e ecografia. “Que já mostraram os nódulos. Naquele momento a sugestão do médico foi que eu repetisse o exame em alguns meses, no entanto, algo me dizia para ir além, então optamos por fazer a biópsia, que confirmou a suspeita. Recebi a notícia no dia 15 de outubro de 2013, Dia do Professor!”, recorda Isabel Cristina.
A professora conta que estava com seu marido quando abriu o envelope do resultado do exame e viu que estava com câncer. “Um longo silêncio tomou conta e viajamos boa parte do caminho sem dizer uma palavra um ao outro, até que, em algum lugar da BR-386, ele estacionou o carro e ali nos abraçamos, choramos, o medo tomou conta, mas não tinha outra coisa a fazer, senão encarar e seguir”, lembra. Naquele dia, o casal foi direto para a igreja que frequentavam. “E lá, diante da cruz de Jesus, me entreguei, para que a vontade Dele se cumprisse”, revelou. “Nunca questionei por que comigo, nunca me revoltei, mas tive muito medo!”, disse Isabel Cristina.
Seu caso era de três nódulos de um tipo muito agressivo que já haviam comprometido os linfonodos axilares “Em muitos momentos, achei que não conseguiria e em muitos ouvi que a situação era muito delicada, mas minha família sempre esteve muito presente, me dando forças e cuidando de mim. Também não é fácil para os familiares!”, considera.
Conforme Isabel Cristina, a orientação médica foi de logo fazer a cirurgia de retirada total da mama, no dia 31 de outubro de 2013, quinze dias depois do diagnóstico, devido à agressividade do tumor. “Doze dias depois da primeira cirurgia, tive que fazer a segunda, pois ao retirar o dreno colocado na primeira, um vaso rompeu, tive uma hemorragia. Alguns dias depois já iniciei as sessões de quimioterapia”, conta.
Complicações
A professora teve complicações renais na primeira quimioterapia que fez, o que a levou a três cirurgias renais e usar cateter urinário por 64 dias, mas o tratamento do câncer seguiu. “Sempre digo que o tratamento é muito complexo, mexe com o corpo todo, as medicações são muito agressivas. Os três primeiros anos foram os mais difíceis, quimioterapia e radioterapia duraram um ano, mas as complicações decorrentes destes tratamentos foram mais longe. As radioterapias me causaram uma lesão no pulmão direito e fiquei bem mais de um ano em tratamento”, disse.
A cura
Isabel Cristina fez quimioterapia adjuvante por dez anos e concluiu no final de 2024. “Como é estar curada? É sentir-se leve e livre para fazer planos, e sentir-se presenteada com uma nova vida e ao mesmo tempo compromissada em cada vez procurar viver melhor, cultivando hábitos saudáveis”, aconselha.
Sobre o que é mais difícil no tratamento, ela disse que não saberia dizer uma coisa somente. “Mas com certeza as dores físicas, o medo constante e as perdas, da autonomia, do trabalho, do cabelo, foram grandes dificuldades!”, revela a professora.
“Eu sei que cada pessoa reage de uma forma e que a caminhada não é fácil, mas com fé e uma boa rede de apoio, família e tratamento, o câncer de mama tem atingido taxas de cura superiores à 90%. Os exames periódicos são fundamentais, o diagnóstico precoce faz a diferença no êxito do tratamento”, conclui Isabel Cristina.

