Cães em terrenos baldios preocupam moradores e colocam ciclistasem risco no Parque Santa Cecília

A presença de cães em terrenos baldios às margens da estrada do Parque Santa Cecília, em Taquari, tem gerado preocupação entre moradores e pessoas que transitam diariamente pelo local. Durante visita realizada na tarde desta quarta-feira, 22, a equipe do Jornal O FATO constatou que, em pelo menos dois pontos, existem casinhas improvisadas para os animais, que demonstraram comportamento agressivo e, segundo relatos, já teriam provocado prejuízos e colocado em risco ciclistas, principalmente crianças.

A reportagem do Jornal O FATO esteve no Parque Santa Cecília na tarde desta quarta-feira, 22, para verificar a situação. Durante a visita, um dos cães chegou a avançar em direção ao veículo da equipe, evidenciando o comportamento agressivo dos animais que permanecem próximos à via.
Segundo informações apuradas pelo jornal, um morador que possui uma chácara nas proximidades sofreu um prejuízo significativo após perder mais de uma dezena de patos. Conforme relatou, a principal suspeita é de que os ataques tenham sido cometidos pelos cães que vivem às margens da estrada.
Na manhã desta quinta-feira, 23, na mesma propriedade, uma vaca morreu exausta após correr por um longo período para proteger sua bezerra dos ataques de quatro cães. Um vídeo que mostra os cães atacando o gado foi enviado à redação do jornal.
Um construtor que trabalha próximo ao local informou que os animais já estão acostumados com ele e sua equipe e, por isso, normalmente não demonstram agressividade contra os trabalhadores. No entanto, afirmou que já presenciou diversas vezes os cães correndo atrás de pessoas que passam de bicicleta, especialmente crianças, situação que representa risco de acidentes.
O trabalhador também relatou ter recebido informações de moradores de que outros animais de propriedades vizinhas estariam sendo mortos. Segundo ele, diversas pessoas costumam levar alimentos aos cães, o que contribui para que permaneçam no local.

O que diz a ONG APAT

Diante da situação, o Jornal O FATO entrou em contato com representantes da ONG APAT, uma das entidades que atua na causa animal no município, para questionar se a organização sabe quem instalou as casinhas nos terrenos baldios, se há identificação dos responsáveis pelos cães e quais providências podem ser ser adotadas para garantir a segurança da população e o bem-estar dos animais.
Em resposta, a ONG manifestou-se da seguinte forma:
“A ONG APAT há anos realiza o trabalho de alimentar e proporcionar abrigo digno para cães em situação de vulnerabilidade. Havia uma cadela com filhotes no loteamento, e fornecemos uma casinha para que ela e seus filhotes não ficassem expostos à chuva. Após isso, outros cães da região, inclusive animais que possuem tutores, passaram a se abrigar nesse espaço. Cabe ao poder público e aos órgãos competentes verificar a origem desses animais abandonados e responsabilizar os autores do abandono.”

OPINIÃO DE O FATO

Entre a compaixão e a responsabilidade

A situação registrada no Parque Santa Cecília merece mais do que indignação. Exige responsabilidade, diálogo e, principalmente, ação.
É natural que muitas pessoas sintam compaixão por animais abandonados. Alimentá-los, construir um abrigo improvisado ou tentar protegê-los são atitudes que nascem da solidariedade. O problema começa quando essa boa intenção não vem acompanhada da responsabilidade necessária.
Cães vivendo soltos às margens de uma estrada movimentada representam um risco para todos: para eles próprios, que podem ser atropelados ou sofrer maus-tratos; para os moradores, que relatam prejuízos em suas propriedades; e, sobretudo, para ciclistas, caminhantes e crianças, que ficam expostos a perseguições e ataques capazes de provocar acidentes graves.
Não se trata de condenar os animais. Pelo contrário. Eles apenas reproduzem seu comportamento instintivo e não podem ser responsabilizados pela condição em que vivem. A responsabilidade é humana. É de quem abandonou esses cães, de quem eventualmente os mantém naquele local sem controle e também do poder público, que precisa coordenar políticas efetivas de proteção animal e de segurança da população.
É preciso identificar quem são os responsáveis por esses cães. Se possuem tutores, estes devem responder por eles. Se são animais abandonados, cabe ao município, em conjunto com as entidades de proteção animal, buscar uma solução que inclua recolhimento, avaliação veterinária, castração, identificação e encaminhamento para adoção responsável, quando possível.
Também é necessário conscientizar a comunidade. Alimentar animais em áreas públicas, sem qualquer acompanhamento, pode parecer um gesto de bondade, mas acaba incentivando sua permanência em locais inadequados, aumentando os riscos tanto para as pessoas quanto para os próprios cães.
O Parque Santa Cecília é um espaço frequentado por famílias, onde moradores buscam tranquilidade. Ninguém deveria deixar de caminhar, correr ou pedalar por medo de ser atacado. Da mesma forma, não é aceitável que animais permaneçam abandonados, vivendo sem os cuidados adequados.
Este não é um problema de um lado contra o outro. Não é uma disputa entre quem defende os animais e quem cobra segurança. Ambas as causas caminham juntas. Proteger a população e garantir o bem-estar dos cães são objetivos que podem — e devem — ser alcançados simultaneamente.
O episódio serve de alerta. Antes que uma tragédia aconteça, é preciso que todos façam sua parte: que os tutores assumam suas responsabilidades, que a comunidade denuncie situações de abandono, que as entidades de proteção animal auxiliem na busca por soluções e que o poder público coordene as ações necessárias.
Esperar que um acidente grave aconteça para agir nunca será a melhor escolha. A prevenção, neste caso, é o único caminho sensato.

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