Custo de produção e valor de venda do arroz se equiparam por segundo ano consecutivo

A colheita de arroz no município de Taquari iniciou no dia 10 de fevereiro e se estende até 30 de abril. De acordo com informações do agrônomo que presta consultoria para os arrozeiros de Taquari e foi indicado pela Emater para dar informações ao jornal, Guilherme Daniel dos Santos, foram plantados 2.822 hectares do grão na safra 2025/2026, número equivalente à safra passada, de 2024/2025.

Desta área, 551 hectares estão plantados no Caramujo, 1.591 hectares em Amoras, Fazenda Pereira e Beira do Rio e 680 hectares na Costa do Santa Cruz, Porto Grande e Fazenda Lengler.
De acordo com Guilherme, a produtividade deste ano aponta para 8 toneladas por hectare, o que corresponde a 160 sacos por hectare. Os números também equivalem aos do ano passado em relação à produtividade.
Entretanto, a informação mais relevante e preocupante é que os produtores rurais quase não terão lucro com a safra e, por outro lado, podem até adquirirem dívidas. Conforme Guilherme, o preço de hoje varia de R$ 47,00 a R$ 52,00, a saca de 50kg de arroz. “Receita bruta por hectare estimada com esta média de produção é em torno de R$ 8 mil, tornando muito difícil chegar ao menos ao custo de produção. Há uma estimativa pequena de alta imediata do grão no estado”, explica o agrônomo. Valores semelhantes a esse também foram registrados na safra passada.
Segundo Guilherme, a safra pode não pagar o custo de produção deste ano. “Situação que é agravada pois muitos produtores estão acumulando dívidas de safras passadas, principalmente devido a enchente”, acrescenta.

Prejuízo

O arrozeiro Cristiano da Silva Bizarro, da Costa do Santa Cruz, disse ao jornal é que um pequeno produtor familiar, com 100 hectares plantados de arroz. Conforme o produtor, sua produção média é de 150 sacos por hectare.
Sobre os valores de venda, cita de R$ 47 a R$ 50 a saca, mas seu custo de produção foi de R$ 65, o saco. “A princípio sobre a venda, a ideia é vender só para pagar os fornecedores, porque temos um sobrenome a zelar! E depois, se persistir esse preço, não terá como pagar os bancos, porque o valor que está não cobre os custos de produção”, revelou o arrozeiro.
Cristiano disse que está trabalhando no prejuízo. “Por- que esse custo de produção é só de insumos, depois ainda tem mais investimentos em máquinas e benfeitorias nas terras, e mais o custo de vida, né, que teria que sair da lavoura também”, revelou.

RECENTES

CATEGORIAS

ASSINATURA

Assine o jornal O Fato e receba diretamente no WhatsApp as principais notícias, reportagens exclusivas e tudo o que acontece no Vale do Taquari. Informação de qualidade, no seu dia a dia!

© 2025 O Fato. Todos os direitos reservados.