Corsan promete plano de ação após cobranças da comunidade

A Câmara de Vereadores de Taquari sediou, na noite de quinta-feira, 7 de maio, uma audiência pública para discutir os serviços prestados pela Corsan/Aegea no município. O encontro reuniu comunidade, vereadores, representantes da companhia, da AGERGS e integrantes do Executivo Municipal.

A mesa oficial contou com a presença do prefeito André Brito, do superintendente da Corsan André Finamor, do diretor de Saneamento da AGERGS Felipe Conceição, do diretor de Assuntos Institucionais da agência André Domingues, além do presidente do Legislativo, Ademir Fagundes, responsável pela condução dos trabalhos.
No decorrer da audiência, moradores relataram problemas como duplicidade de faturas, cobranças por média, dificuldades no atendimento, vazamentos constantes, água com gosto ruim e interrupções frequentes no abastecimento.
O prefeito André Brito destacou que a população tem enfrentado dificuldades para arcar com as contas de água e criticou a emissão de duas faturas em períodos próximos. “O trabalhador se organiza para pagar suas contas, e muitas pessoas ficaram em dúvida com duas cobranças no mesmo período. Precisamos de transparência para que as pessoas entendam o que está acontecendo”, afirmou o prefeito.
O prefeito tambémmencionou reclamações relacionadas à qualidade da água e ao atendimento da companhia. “O 0800 parece fazer as pessoas desistirem de reclamar. Muitos não conseguem resolver seus problemas”, disse.
Segundo ele, o município também cobrará o cumprimento das metas relacionadas ao saneamento básico até 2033.

AGERGS reforça papel de fiscalização

O diretor de Assuntos Institucionais da AGERGS, André Domingues, ressaltou a importância da audiência para ouvir a população. “Água é um tema precioso para a saúde pública. Precisamos resgatar a confiança no serviço público e em quem presta o serviço”, afirmou.
Já Felipe Conceição reforçou que a agência reguladora permanece à disposição da população para receber reclamações quando não houver solução junto à Corsan.

Corsan admite problemas e explica faturas

O superintendente da Corsan, André Finamor, classificou a audiência como importante para encaminhar soluções e ouvir os consumidores. Sobre a emissão de duas contas próximas, explicou que uma mudança na roteirização das leituras gerou a situação nos meses de março e abril. “Foram faturas de meses distintos, apenas emitidas em datas próximas. Ninguém pagará mais de 12 contas por ano”, garantiu Finamor.
Segundo ele, o problema não deve voltar a ocorrer. Finamor também anunciou investimentos superiores a R$ 100 milhões em obras de esgotamento sanitário a partir do próximo ano. “As obras para universalização do esgoto devem iniciar em 2026”, afirmou. Ele ainda citou obras em andamento no bairro Rincão e na rua Francisco Bitencourt.

Vereadores relatam pressão da comunidade

Os vereadores utilizaram a audiência para relatar reclamações recebidas diariamente da população. O vereador Aldo Gregory afirmou que a intenção do encontro era aproximar a comunidade da empresa e buscar esclarecimentos.
Já a vereadora Angélica Hassen relatou problemas de água suja e vazamentos sem solução. “Precisamos resolver isso com urgência”, declarou.
O vereador Leco Costa criticou a situação atual do serviço após a privatização. “Temos saudade da antiga Corsan. Hoje faltam água, qualidade e respostas”, afirmou Leco.
O vereador Cláudio Bastos criticou a emissão de faturas em duplicidade sem aviso prévio e relatou dificuldades enfrentadas pelos consumidores. “O assalariado se organiza para pagar suas contas e acaba recebendo duas faturas. Além disso, falta água nos finais de semana e muitas vezes não há água nas torneiras. Estamos aqui para ouvir a população e questionar a Aegea e a AGERGS. No escritório, existe apenas uma pessoa atendendo”, afirmou.
Já o vereador Luciano Maria destacou a importância da audiência para que a comunidade pudesse apresentar diretamente suas reclamações à companhia. “Infelizmente ainda temos muito a melhorar. Existem reclamações de falta de abastecimento, água suja e muitas pessoas ficando sem água. Precisamos que todos estejam comprometidos em resolver os problemas”, declarou.
O vereador Marcelo Lopes também relatou que a população enfrenta demora excessiva para solução de demandas simples. “Há casos de média de consumo fora do comum, apenas uma pessoa atendendo a população e moradores aguardando mais de 15 dias por uma troca de registro. A população está sofrendo muito”, disse Marcelo.
O vereador Sérgio Pereira afirmou que a situação é especialmente complicada no bairro Rincão. “Falo como usuário. Fevereiro foi o mês com menos fornecimento de água e também o mês em que mais paguei: R$ 407. A situação causou até casos de diarreia em crianças. A população está cansada”, relatou.
O secretário municipal de Saúde e Meio Ambiente, Luis Porto, acrescentou que Caieira e Leo Alvim Faller também criticaram a qualidade da água fornecida no município.
Foram ainda feitas críticas ao atendimento presencial, considerado insuficiente pela população e pelos parlamentares.

Comunidade faz cobranças diretas

Diversos moradores utilizaram o espaço para relatar problemas enfrentados no dia a dia.
O morador Paulo Sérgio, do Centro, criticou a demora no atendimento e a cobrança de juros em uma fatura que apresentou problemas no código de barras. “O serviço está péssimo”, afirmou.
Já Vitor Espinosa, do bairro Caieira, relacionou a piora do atendimento à terceirização dos serviços após a privatização. Moradores do bairro Rincão também reclamaram das obras, dos altos valores cobrados e das dificuldades no abastecimento.

Prefeitura avalia medidas futuras

Nas considerações finais, o prefeito André Brito afirmou que o município poderá adotar medidas caso as metas contratuais não sejam cumpridas. “Não é simples o município assumir o abastecimento, mas vamos exigir transparência e cobrar os serviços. Se necessário, poderemos encaminhar questões ao Ministério Público e buscar medidas judiciais”, afirmou.
Segundo ele, uma equipe técnica da Prefeitura fará avaliação do contrato de concessão para verificar o cumprimento das obrigações previstas.
O superintendente da Corsan/Aegea, André Finamor, afirmou durante a audiência pública que a companhia esteve presente para ouvir a comunidade e buscar soluções para os problemas apresentados. “Estamos aqui para compor, ouvir todos e chegar à melhor prestação de serviços possível”, declarou.
Segundo Finamor, o contrato de concessão é regulado pela AGERGS, responsável também pela definição das tarifas aplicadas. Sobre as obras no bairro Rincão, informou que a conclusão da rede deve ocorrer até o fim de maio. “Contratamos uma empresa de Taquari e até o final de maio a rede deve estar pronta, junto com a repavimentação”, explicou.
Ele também comentou sobre os buracos abertos para manutenção e implantação de redes, afirmando que o pavimento será recuperado. “O pavimento deve ser restituído como era antes. Isso será feito também na Francisco Bitencourt”, garantiu.

Contas e cobrança de esgoto

Finamor negou que tenha ocorrido duplicidade de cobrança nas faturas recebidas pelos consumidores. “A conta duplicada não existe. Algumas pessoas receberam contas no mesmo período, mas de competências distintas. Não houve duplicação de cobrança”, afirmou.
Segundo ele, cada situação deve ser analisada individualmente e pode haver casos de erro de leitura. Sobre a cobrança da taxa de esgoto, explicou que atualmente existem 77 unidades com cobrança do serviço no município e que a estação de tratamento já opera no bairro Bela Vista. “O usuário precisa fazer a ligação na rede. A cobrança pela disponibilidade funciona como forma punitiva para quem ainda não realizou a conexão”, disse.
Finamor também detalhou a composição da tarifa mínima. “Nossa conta possui um componente fixo de serviço de R$ 41,03, além do consumo. Esse valor serve para remunerar a infraestrutura. Mesmo com consumo zero, existe o pagamento do serviço mínimo”, explicou.
Ao final da audiência, o representante da Corsan afirmou que será elaborado um plano de ação com base nas demandas apresentadas pela comunidade. “Com todas as questões levantadas aqui, vamos apresentar um plano de ação ao prefeito e ao Legislativo para resolução dos problemas”, concluiu.
Acompanhe mais sobre este assunto na próxima edição do jornal O Fato, na sexta-feira, dia 15 de maio.

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