Taquari encerrou os primeiros 11 meses de 2025 sem registros de assassinatos no município. Desde 2002, quando a Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP-RS) iniciou a divulgação desses índices criminais, Taquari nunca encerrou um ano sem registro de homicídios.
Para efeito de comparação, em 2024, nos primeiros 11 meses do ano, foram registrados seis homicídios em Taquari. Em 2023, no mesmo período, outros seis assassinatos foram cometidos no município. Em 2022, sete assassinatos foram registrados em Taquari entre janeiro e novembro. Em 2021, no mesmo período, houve dois homicídios em Taquari. E em 2020, nos primeiros 11 meses do ano, foram registrados três assassinatos. Se Taquari seguir sem registrar assassinato em dezembro, desde 2002, quando iniciou a divulgação desses números pela SSP-RS, será a primeira vez que o município alcançará tal marca.
Conforme a delegada Betina Martins Caumo, um dos principais motivos da queda do número de homicídios no período “foi a aplicação do protocolo de dissuasão focada, especialmente a partir dos crimes contra a vida ocorridos no segundo semestre de 2024. A integração dos órgãos de segurança pública para reduzir a criminalidade, priorizando combate e apuração de crimes contra a vida, com adoção de protocolos que dificultem a repetição, tem sido um norte do trabalho das forças de Segurança Pública.”
Assim como Taquari, o Rio Grande do Sul também mostra queda no número de homicídios, de 1.399 em 2024 para 885 em 2025.
Com relação ao número total de mortes com violência por ano, desde 2002, os anos de 2024 e 2022 foram os que mais assassinatos foram cometidos em Taquari, sete em cada ano. Já no estado, o ano em que houve mais homicídios desde 2002 foi em 2017, com 2.836.
Taquari não registra homicídios desde o dia 18 de dezembro de 2024. Desde 2002, 72 pessoas foram assassinadas em Taquari.
Em 2025, Taquari teve cinco tentativas de homicídio
Se não houve assassinatos em 2025 em Taquari, nos primeiros 11 meses do ano foram registradas cinco tentativas de homicídio no município, em três ocorrências distintas. Dois dos inquéritos já foram concluídos e remetidos ao Judiciário, enquanto o terceiro segue em andamento.
O caso mais recente foi na noite do dia 18 de novembro, quando uma mulher, de 27 anos, e sua filha, uma criança, de três anos, foram baleadas em ataque a tiros a uma residência, na rua Fidélis Machado, no bairro Rincão São José. Um grupo de quatro a cinco indivíduos chegou ao local armado e abriu fogo com diversos disparos contra uma residência, acertando a mulher e a sua filha. Este inquérito está em andamento e a Polícia Civil investiga o caso.
O segundo caso de tentativa de homicídio foi registrado no dia 16 de junho, quando um jovem, de 23 anos, foi alvejado a tiros próximo à rodovia Aleixo Rocha da Silva, na TK 45. A respeito deste caso, a delegada disse que o inquérito foi concluído, com o indiciamento de dois homens, de 26 e 37 anos, ambos naturais de Taquari. Eles tiveram suas prisões preventivas decretadas em julho, contudo, fugiram. Ambos foram presos em Porto Alegre, em 9 e 17 de outubro, e estão à disposição da Justiça. Ainda conforme a delegada, a motivação do crime seria por “desavenças oriundas do pertencimento de todos a uma determinada facção criminosa”. O rapaz de 26 anos ainda responde pelo homicídio de Guilherme Mariano Pereira, 25 anos, morto a tiros na madrugada do dia 15 de novembro de 2023, na rodovia Aleixo Rocha, bairro União. Ele chegou a ser preso por este crime, mas obteve o direito de responder em liberdade.
O outro caso ocorreu no dia 5 de abril, em um ponto comercial, na avenida Lautert Filho, quando dois homens, de 42 e 44 anos, teriam atentado contra a vida de dois seguranças de baile, de 32 e 47 anos, após o encerramento de uma festa, em uma briga. De acordo com a delegada, na confusão “houve dois disparos dentro do estabelecimento, além de golpes violentos com faca de grande porte e coronhadas nas vítimas, tudo isso na presença de diversas pessoas que se encontravam no local, colocando em risco a integridade física de todos.” Os dois suspeitos foram indiciados por tentativa de homicídio qualificado, por motivo torpe e uso de meio que gerou perigo comum. Os suspeitos encontram-se foragidos desde o dia 17 de abril de 2025, quando a Justiça local decretou a prisão preventiva de ambos.
Polícia investiga um homicídio cometido em 2024
Dos sete homicídios registrados em Taquari em 2024, a Polícia Civil ainda trabalha para elucidar a morte de William da Silva Pereira, 33 anos, assassinado a tiros dentro de sua casa, na rua Cecília Dória Labres, no bairro Caieira, no dia 18 de dezembro. Outros três casos, de Odemar Oliveira, o Nena, 55 anos, assassinado a tiros na rua do Tanino, bairro Caieira, no dia 24 de setembro, o de Gilberto Bergamaschi Júnior, 30 anos, morto, também a tiros, na avenida Farrapos, bairro Coqueiros, no dia 21 de setembro, e o de Carlos Alberto de Almeida, 39 anos, assassinado a tiros, na rua João Pessoa, bairro Praia, no dia 26 de fevereiro, foram remetidos ao Poder Judiciário sem indiciamento dos envolvidos em razão da insuficiência de provas. Segundo a delegada, “os fatos chegaram a ser esclarecidos, foram obtidas informações de autoria e motivação mas, para fins de responsabilização criminal, não se logrou êxito na produção de prova robusta.”
Nos demais três casos do ano passado, a Polícia Civil identificou os suspeitos dos crimes. Apontado como autor do homicídio de Rogério da Silva Politta, 52 anos, no dia 27 de janeiro, com vários disparos de arma de fogo, na TK 9, no bairro Pinheiros, um menor, hoje com 17 anos, foi recolhido à Fundação de Atendimento Socioeducativo (FASE).
Um homem de 47 anos, apontado como autor do homicídio de Thomaz Eduardo Abreu da Silva, de 15 anos, no dia 27 de janeiro, na localidade de Aterrados, encontra-se foragido.
E uma mulher, de 57 anos, acusada da morte de Antônio Solferino Machado de Godoy, o Borgueti, 58 anos, no dia 26 de setembro, na rua Euclides da Cunha, bairro Colônia 20, no Tinguité, foi presa no dia 9 de outubro de 2024. Ela foi à júri popular em agosto de 2025 e condenada a quatro anos em regime aberto.

