Faleceu na segunda-feira, 8 de dezembro, aos 75 anos, o ex-prefeito de Taquari, Namir Luiz Jantsch, figura marcante da política local e um dos líderes mais atuantes da história recente do município. Atendendo a um desejo pessoal, não houve cerimônias de despedida. A cremação ocorreu na terça-feira, 9 de dezembro, às 11h, no Cemitério Regional de Venâncio Aires, em ato reservado à família. De acordo com a família, a causa da morte foi sepse de foco pulmonar, após ter ficado 30 dias internado na UTI do Hospital Santa Clara, do Complexo Santa Casa, em Porto Alegre.
Jantsch comandou o Executivo taquariense por duas gestões, totalizando nove anos à frente da Prefeitura de Taquari (1983–1988 e 1997–2000). Na primeira eleição, obteve 6.642 votos e, na segunda, 7.006. Ele também desempenhou diversas funções em órgãos municipais e estaduais, contribuições significativas para o desenvolvimento de Taquari, Paverama e Tabaí.
Em entrevista concedida ao jornal O Fato, à repórter Alexandra Machado, em 2024, durante as comemorações dos 175 anos de emancipação de Taquari, Jantsch deixou uma mensagem à comunidade, destacando a importância da participação cidadã:
“Continuem participando ativamente da construção e do desenvolvimento do Município, porque é para vocês e seus descendentes que se desenvolve o trabalho do administrador público. Incentivem novos talentos, novas lideranças, buscando a capacitação dos agentes públicos.”
Uma vida dedicada ao municipalismo
Namir tinha no municipalismo uma verdadeira filosofia de vida. Sua trajetória política teve início no Sindicato dos Trabalhadores Rurais, ainda jovem, onde desenvolveu liderança comunitária. Ao longo da carreira, ocupou cargos como secretário de Obras e Planejamento de Taquari, vice-presidente da FAMURS, conselheiro da Companhia Intermunicipal de Estradas Alimentadoras, secretário-geral da Confederação Nacional dos Municípios, vice-presidente da Associação dos Prefeitos do MDB, diretor da antiga FASE de Taquari, coordenador da 3ª CRE e secretário municipal de Administração. Também atuou como agente administrativo, professor estadual e advogado.
Ingresso na política
Sua entrada definitiva no cenário político ocorreu em 1972, quando, aos 21 anos, foi indicado pelo MDB para concorrer a vice-prefeito na chapa com Celso Luiz Martins. A escolha se deu devido ao seu envolvimento comunitário e à representatividade de Paverama, então o maior distrito de Taquari. Apesar da derrota na eleição, a experiência abriu caminho para sua atuação posterior, especialmente quando Martins, eleito prefeito (1977–1982), o convidou para assumir a Secretaria de Obras e Planejamento.
Segundo relatou ao O Fato, o desejo de ver Paverama e os demais distritos alcançando maior desenvolvimento foi o que o motivou a disputar a Prefeitura. Em 1982, sua atuação técnica e política resultou na vitória nas eleições municipais.
Desenvolvimento regional e avanços marcantes
Durante sua primeira gestão, ocorreu a emancipação de Paverama. Entre os avanços das décadas de 1980 e 1990, ele destacou:
- Atração de indústrias de calçados, metalúrgicas e empresas de defensivos agrícolas;
- Criação de associações de bairros e instalação de poços artesianos;
- Ampliação da rede de postos de saúde, escolas e creches;
- Implantação do ensino técnico em química e ampliação do ensino em Tabaí e Paverama;
- Instalação de centrais telefônicas e agências dos Correios;
- Ligação asfáltica entre Paverama e a BR-386;
- Expansão do sistema de água potável em parceria com a Corsan;
- Instalação do parque de máquinas municipal, do posto local da Justiça do Trabalho e da Delegacia de Polícia;
- Realização de grandes eventos culturais, como o Natal Açoriano, a Festa da Laranja e os carnavais regionais;
- Criação do Fundo Rotativo da Habitação e construção da primeira creche municipal (Vó Laura).
Jantsch também recordava com emoção o movimento religioso de 1988, relacionado ao reconhecimento da aparição de Nossa Senhora da Assunção, que resultou na elevação da capela dedicada à santa à condição de Santuário — um marco de fé na comunidade.
Família destaca feitos de Namir
A família cita ainda entre as realizações de Namir, no primeiro mandato a promoção do concurso para a criação do Hino de Taquari e criação da banda marcial. No segundo mandato, foi responsável pela obra asfáltica de acesso a empresa Mita, além de contribuir para o escoamento da produção da empresa, de 45 mil toneladas de cavacos de madeira, para o Japão através de um porto na própria empresa.
Outra lembrança da família, são as campanhas de Namir em suas eleições, quando eram realizadas visitas de casa em casa, conversava e tomava chimarrão e, muitas vezes, almoçava e jantava com os eleitores. Além da realização de comícios em diversas localidades.
Também foi lembrada pela família sua segunda campanha para prefeito, quando se elegeu, na coligação PMDB, PT e PDT, com Gênix Muxfeldt de vice, com o slogan “Honestidade tem Nome”, quando muitas famílias colocaram em suas casas taquaras com a bandeira da campanha e nos comícios eram usados chapéus de palha pintados de vermelho.
A forma de atendimento do ex-prefeito também faz parte das lembranças da família, quando Namir abria o gabinete e atendia o público durante horas.
A trajetória pública de Namir Luiz Jantsch deixa um legado expressivo, marcado pela liderança, pela dedicação ao serviço público e pela defesa incansável do municipalismo como instrumento de desenvolvimento local.

