O cineasta taquariense Leonardo da Rosa está trabalhando na pós-produção do curta-metragem Fotografar Mortos, gravado em maio deste ano, na Estação Experimental. Conforme Leonardo, a pós-produção engloba montagem, edição, mixagem, trilha sonora e finalização.
A produção, de roteiro e direção de Leonardo, mistura documentário e ficção, tem Taquari como cenário e resgata a memória do município ao explorar as dependências da Estação Experimental como palco para a história. Uma equipe de 30 pessoas trabalhou na gravação, por cerca de duas semanas. Na equipe de produção contratada para o filme, Leonardo destaca o experiente maquinista Alcimar Bairros da Silva, o Padre, que já atuou em diversos longas como Tropa de Elite, Saneamento Básico e O Homem Que Copiava, entre outros.
De acordo com Leonardo, a ideia do filme nasceu de uma inquietação pessoal com as memórias de Taquari e de seu corpo operário. “Minha jovem filmografia sempre se concentrou mais intensamente na região Sul do Estado (Pelotas/Rio Grande), ainda sobre esses mesmos temas, e em Taquari não é diferente. No caso desse filme, sempre me chamou atenção a Estação Experimental que, com o tempo, foi sendo esvaziada — tanto fisicamente quanto simbolicamente —, mas que hoje, felizmente, está em transformação para voltar”, destaca o cineasta.
Taquarienses em destaque
Além da direção e roteirização de Leonardo, o curta-metragem Fotografar Mortos contou com participação taquariense na produção e no elenco, além do auxílio da comunidade local, que contribuiu com a disponibilização de objetos, móveis e até galinhas utilizados na cinematografia. O personagem principal é vivido pelo taquariense Eliandro Porto, conhecido como Bieira, e seu filho, Matheus Porto, atuou como ajudante de produção. Marvin Souza Silva e Aline Ben da Costa integraram, respectivamente, as equipes de elétrica e produção local/making of.
O cineasta taquariense Leonardo da Rosa já dirigiu outros filmes reconhecidos nacional e internacionalmente. Os curtas Construção e Madrugada participaram da Mostra de Tiradentes e ganharam o prêmio de Melhor Curta Gaúcho pela Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (ACCIRS) nos anos de 2020 e 2022, respectivamente. Construção ainda recebeu os prêmios de Melhor Filme, Direção e Montagem na Mostra Gaúcha de Gramado, em 2020, e Madrugada participou do Festival Visions du Réel, na Suíça.
Produção foi realizada com recursos da Lei Paulo Gustavo
O curta Fotografar Mortos foi produzido com financiamento da Lei Paulo Gustavo (Lei Complementar nº 195/2022), do Governo Federal (Ministério da Cultura), por meio do edital SEDAC/LPG 16/2023, e com apoio da Prefeitura de Taquari. A Lei Paulo Gustavo destina recursos para projetos culturais, manutenção de espaços culturais e capacitação. A previsão de finalização do filme é para 2026, quando será exibido em Taquari e enviado ao circuito de festivais de cinema.
Sinopse
Em uma antiga vila operária de Taquari (RS), Eliandro é o último morador que resiste ao tempo. Sozinho entre suas lembranças, ele decide filmar uma autoficção: um filme em que reconstrói suas memórias por meio de hologramas. Entre realidade e fabulação, ele e sua câmera mergulham em uma espiral de experimentações de linguagem que ligam documentário e ficção, trabalho e tecnologia, memória e território.
Estação Experimental
O Centro de Pesquisa Emílio Schenk foi criado em 1929 como Estação Experimental de Pomicultura da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro). Posteriormente, foi denominado Estação Experimental Fitotécnica de Taquari e, mais tarde, Fepagro Fruticultura. O centro foi pioneiro e desenvolveu diversas pesquisas, ações de fomento e ensino, principalmente na área de citricultura. Chegou a possuir mais de 500 variedades citrícolas em sua coleção, com uma área total que alcançou 867 hectares.
Em 1994, o local incorporou a área do Parque Apícola de Taquari e passou a abrigar também pesquisas nas áreas de sorgo, mandioca e agroprocesso, contando com coleções de variedades dessas culturas. Durante o governo de José Ivo Sartori, foi extinto por lei.
Hoje, a área de 460 hectares pertencente ao governo do Estado abriga o Parque Apícola de Taquari. Depois de anos, a Federação Apícola do Rio Grande do Sul (Fars) passou a utilizar o espaço no final de 2023, com o objetivo de incentivar o cultivo agrícola e a produção de abelhas, aliado ao desenvolvimento de pesquisas, em parceria com a Associação Taquariense de Apicultores.

