{"id":3114,"date":"2018-08-31T12:32:03","date_gmt":"2018-08-31T12:32:03","guid":{"rendered":"http:\/\/ofatonovo.com.br\/novo\/?p=3114"},"modified":"2018-08-31T12:32:03","modified_gmt":"2018-08-31T12:32:03","slug":"com-quase-meio-seculo-foto-globo-acompanha-as-transformacoes-na-fotografia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ofatotaquari.com.br\/ofato2\/com-quase-meio-seculo-foto-globo-acompanha-as-transformacoes-na-fotografia\/","title":{"rendered":"Com quase meio s\u00e9culo, Foto Globo acompanha as transforma\u00e7\u00f5es na fotografia"},"content":{"rendered":"<p>Aos 18 anos, quando ainda estava decidindo qual profiss\u00e3o seguir, Eraldo Carvalho passou a trabalhar com o irm\u00e3o mais velho, Jo\u00e3o Carvalho, na \u00e9poca com 23 anos, em um est\u00fadio de fotografia. Inicialmente o empreendimento funcionava em Triunfo.<\/p>\n<p>&#8220;Naquele tempo n\u00e3o existia a loja. Comprava-se uma c\u00e2mera (das antigas), com flash e um espa\u00e7o com um quarto escuro para revelar as fotos e era fot\u00f3grafo. Era preciso saber t\u00e9cnicas de revela\u00e7\u00e3o. N\u00f3s t\u00ednhamos uma Yashica 6 por 6 TLR\u201d, lembra Eraldo.<br \/>\nEm 1966, mudaram-se para Taquari e passaram a atender em uma casa antiga no local onde hoje \u00e9 a Loja Manas Modas, na Rua 7 de Setembro, no Centro. Trabalharam por quatro anos juntos e decidiram separar a empresa. Eraldo continuou na fotografia e Jo\u00e3o partiu para outro ramo, fundando a Relojoaria Pampa, em atividade at\u00e9 hoje.<br \/>\nEm 1970, iniciou a Foto Globo. Eraldo alugou uma sala &#8211; onde hoje est\u00e1 a \u00d3tica e Relojoalheria Pampa, na Rua 7 de Setembro, e fazia fotos de eventos e em est\u00fadio. Por\u00e9m, as fotografias eram apenas em preto e branco. Em Taquari, na \u00e9poca, as empresas Foto Souza e Foto Crestani faziam o mesmo trabalho.<br \/>\nNo local onde iniciou, a empresa permaneceu por mais quatro anos, mudou-se para outra sala em frente e, anos mais tarde para o pr\u00e9dio de Uniberto Bayer. Em 2002, adquiriu um terreno e construiu a sede pr\u00f3pria da empresa, no ponto onde est\u00e1 localizada at\u00e9 hoje, tamb\u00e9m na Rua 7 de Setembro.<br \/>\nNo in\u00edcio da atividade, Eraldo era o \u00fanico fot\u00f3grafo da empresa. Anos depois, j\u00e1 casado com Neusa Souza de Carvalho, ela passou a acompanh\u00e1-lo. Na d\u00e9cada de 1980, Neusa come\u00e7ou a fazer fotos produzidas em est\u00fadio, uma novidade para a \u00e9poca, j\u00e1 que o h\u00e1bito eram os eventos e os retratos. \u201cEla come\u00e7ou a fazer, teve bastante criatividade e passou a realizar um trabalho muito bonito que obteve o gosto das pessoas\u201d, lembra Eraldo.<\/p>\n<p><strong>Entrega das fotos ocorria em 15 dias<\/strong><\/p>\n<p>Nestas quase cinco d\u00e9cadas, a empresa acompanhou as transforma\u00e7\u00f5es ocorridas na fotografia. Do in\u00edcio em preto e branco, chegaram \u00e0s coloridas. Por\u00e9m, a revela\u00e7\u00e3o (passar do negativo para o papel de fotografia) era feita apenas em S\u00e3o Paulo e Manaus. Para se obter o resultado, eram necess\u00e1rios 15 dias. \u201cCome\u00e7amos a introduzir o colorido, e o pessoal passou a fazer num evento misto, um pouco preto e branco e um pouco colorido. No entanto, a qualidade n\u00e3o era boa. \u201cNo in\u00edcio da foto colorida, era horr\u00edvel a qualidade porque a impress\u00e3o era terceirizada. Ficava avermelhada, azulada, arroxeada, mas com o tempo foram aperfei\u00e7oando\u201d, destaca a fot\u00f3grafa Neusa Carvalho. Anos depois, o preto e branco foi eliminado e j\u00e1 era poss\u00edvel revelar em laborat\u00f3rios em Porto Alegre.<br \/>\nNa d\u00e9cada de 1995, a empresa adquiriu um aparelho, um mini lab. \u201cConseguimos comprar o primeiro equipamento de revela\u00e7\u00e3o colorida e a foto passou a ser entregue ao cliente em uma hora\u201d, acrescenta.<br \/>\nEm 2005, chegou a era do digital e houve a necessidade de trocar todos os equipamentos, inclusive as c\u00e2meras. \u201cTudo o que t\u00ednhamos passou a ter valor zero, n\u00e3o dava nem para revenda\u201d, observa Eraldo.<br \/>\nPara ele, as mudan\u00e7as trouxeram facilidades mas est\u00e3o apagando as recorda\u00e7\u00f5es. \u201cQuando tinha uma c\u00e2mera de negativo, fazia a foto e ia na loja revelar para depois ver o resultado. Hoje n\u00e3o, tu bate com o celular e j\u00e1 v\u00ea se ficou ou n\u00e3o boa, deleta, tira outra. Aquele romantismo, de ver a foto como ficou, acabou. Armazena-se num pen drive ou no computador e muitos nem olham mais. Quando vai procurar no arquivo, n\u00e3o acha. As pessoas perderam muito com isso a\u00ed. O digital acabou um pouco com isso\u201d.<\/p>\n<p><strong>Para n\u00e3o perder o registro do beijo dos noivos, a cena era repetida<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m do n\u00e3o poder ver a foto no mesmo momento em que era feita, o n\u00famero de cliques tamb\u00e9m era limitado. Os negativos tinham espa\u00e7o para 12, 24 ou 36 poses, como era chamado cada arquivo da fotografia.<br \/>\nNas d\u00e9cadas de 70 e 80, os fot\u00f3grafos trabalhavam muito fazendo casamentos. Conforme Eraldo, chegava a ter 26 por final de semana. \u201cEu ia para a Igreja \u00e0s 8h30 da manh\u00e3 e ficava l\u00e1. Naquela \u00e9poca n\u00e3o se fazia muito as fotos das festas, era um ou outro que queria. Ia-se para a igreja, os noivos entravam, fotografava, tamb\u00e9m com os padrinhos e familiares. Tinha que ser r\u00e1pido porque era um atr\u00e1s do outro e j\u00e1 ficava fotografando o pr\u00f3ximo. Hoje se faz mil fotos de um evento para vender 200 ou 300\u201d, compara.<br \/>\nPara conseguir fazer mais fotos num evento, era necess\u00e1rio trocar o filme das c\u00e2meras. Num baile de debutantes, por exemplo, a troca tinha que ser r\u00e1pida para n\u00e3o perder a valsa da menina com todos os seus convidados. Com o tempo, alguns macetes passaram a ser introduzidos. \u201c\u00c0s vezes davam duas valsas para a gente conseguir\u201d, recorda Eraldo. \u201cFomos amadurecendo com o tempo e pedindo para esticar a valsa\u201d, comenta Neusa.<br \/>\nNos casamentos, o fot\u00f3grafo precisava estar atento. O beijo dos noivos era o ponto alto do evento. \u201cSe perdia, eu pedia para o padre para repetir.<\/p>\n<p><strong>As dificuldades do come\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p>Nos primeiros anos na profiss\u00e3o, a dificuldade era ter recursos para comprar os equipamentos de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o. Atualmente, o desafio \u00e9 acompanhar o desenvolvimento da tecnologia e manter-se com equipamentos modernos. \u201cNa fotografia tudo corre muito r\u00e1pido. Se for comprar uma c\u00e2mera nova, cada vez que surge um modelo, trabalha-se s\u00f3 para os equipamentos. Tem que ter uma boa lente, boa c\u00e2mera, boa revela\u00e7\u00e3o e \u00e9 um custo muito alto\u201d, afirma Eraldo.<br \/>\nEm quase meio s\u00e9culo de hist\u00f3ria, os empres\u00e1rios e fot\u00f3grafos colecionam hist\u00f3rias como noivos que casaram e quando as fotos ficaram prontas a fam\u00edlia pagou mas n\u00e3o retirou, e meninas que fizeram 15 anos e ap\u00f3s a festa pediram para retirar um ex-namorado da foto.<br \/>\nA empresa possui, atualmente, seis colaboradores, sendo tr\u00eas fot\u00f3grafas, um no laborat\u00f3rio e dois para o caixa e atendimento. Os dois filhos do casal seguiram na \u00e1rea, por\u00e9m possuem empreendimentos pr\u00f3prios.<br \/>\nO futuro, para Eraldo, \u00e9 incerto. \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil porque se considerar h\u00e1 10 anos, tinha \u201cn\u201d lojas de fotografia, de equipamentos. Em Porto Alegre, em cada esquina, tinha um atacado de fotografia, que vendia \u00e1lbum, filmes, faziam as revela\u00e7\u00f5es. Hoje s\u00e3o poucos\u201d, avalia. \u201cDaqui a 10 anos n\u00e3o sei o que vai acontecer, a tend\u00eancia \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o\u201d, completa. Ele diz que, na regi\u00e3o, apenas em Lajeado, Santa Cruz do Sul e Taquari (na Foto Globo) h\u00e1 laborat\u00f3rio de revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 18 anos, quando ainda estava decidindo qual profiss\u00e3o seguir, Eraldo Carvalho passou a trabalhar com o irm\u00e3o mais velho, Jo\u00e3o Carvalho, na \u00e9poca com 23 anos, em um est\u00fadio de fotografia. Inicialmente o empreendimento funcionava em Triunfo. &#8220;Naquele tempo n\u00e3o existia a loja. 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