{"id":23638,"date":"2025-07-18T08:34:44","date_gmt":"2025-07-18T11:34:44","guid":{"rendered":"https:\/\/ofatotaquari.com.br\/ofato2\/?p=23638"},"modified":"2025-07-18T08:35:58","modified_gmt":"2025-07-18T11:35:58","slug":"patram-termina-com-rinha-de-galos-em-amoras-em-taquari","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ofatotaquari.com.br\/ofato2\/patram-termina-com-rinha-de-galos-em-amoras-em-taquari\/","title":{"rendered":"Acusados de homic\u00eddio s\u00e3o absolvidos em j\u00fari popular"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um homic\u00eddio, ocorrido no dia 30 de abril de 2023, na localidade de Amoras, foi julgado na quinta e sexta-feira, dias 10 e 11, em sess\u00e3o de j\u00fari popular, no F\u00f3rum de Taquari. Dois homens, de 34 e 54 anos, foram absolvidos pelo corpo de jurados da acusa\u00e7\u00e3o do homic\u00eddio de Leandro da Silva, ent\u00e3o com 54 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O j\u00fari, mais uma vez, durou dois dias, iniciando na manh\u00e3 da quinta-feira, dia 10, e encerrando no in\u00edcio da noite da sexta-feira, dia 11. A acusa\u00e7\u00e3o foi feita pela promotora Lunara Shigueko Andrade Yamasaki, representante do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio Grande do Sul (MP-RS), e pelo assistente de acusa\u00e7\u00e3o, o advogado R\u00e9gis Pereira, representante da fam\u00edlia da v\u00edtima.<br>Segundo a acusa\u00e7\u00e3o, Leandro da Silva teria sido atra\u00eddo para uma emboscada, onde, supostamente, lhe seria mostrada uma carga de lenha \u00e0 venda. Ele teria sa\u00eddo sozinho de casa, na parte da manh\u00e3 do dia do crime. Como n\u00e3o retornou, familiares teriam ido a sua procura e localizado seu corpo, na parte da tarde.<br>A acusa\u00e7\u00e3o afirmou que o homem de 54 anos, familiar da v\u00edtima, seria o mandante do assassinato e o motivo seria a disputa de uma \u00e1rea de terras, que a v\u00edtima teria herdado de seu pai, contudo, \u00e0 qual o acusado achava ter direito, pois dizia ser de seus pais. \u201cN\u00e3o era uma disputa por valores e, sim, uma disputa de ego, sentimento de posse que o r\u00e9u tinha\u201d, afirmou a promotora.<br>Conforme a acusa\u00e7\u00e3o, v\u00edtima e r\u00e9u j\u00e1 teriam desentendimentos anteriores por causa dessa \u00e1rea e, inclusive, j\u00e1 teriam discutido por esse motivo. Ao saber que a v\u00edtima teria ajuizado uma a\u00e7\u00e3o de usucapi\u00e3o para ter a matr\u00edcula da \u00e1rea, em fevereiro de 2023, o acusado, segundo a promotora, iniciou o plano para mat\u00e1-lo.<br>A acusa\u00e7\u00e3o afirmou que o homem de 54 anos teve um encontro pessoalmente com o acusado de ser o executor e teria oferecido R$ 5 mil para ele cometer o crime. Al\u00e9m disso, teria fornecido a arma e informa\u00e7\u00f5es privilegiadas sobre a v\u00edtima, dizendo, inclusive, como ele deveria fazer a abordagem.<br>Sabendo que a v\u00edtima trabalhava com carv\u00e3o e comprava lenha, o homem acusado de ser o executor iniciou contato para oferecer uma carga. O primeiro contato teria ocorrido no dia 23 de abril, atrav\u00e9s de uma liga\u00e7\u00e3o telef\u00f4nica. Segundo a acusa\u00e7\u00e3o, o homem teria cadastrado um chip em nome de terceiro em seu telefone para iniciar a abordagem. A promotora mostrou aos jurados uma lista de v\u00e1rias liga\u00e7\u00f5es e tentativas de liga\u00e7\u00f5es do acusado para a v\u00edtima. No domingo, dia 30, \u00e0s 7h, o acusado, segundo a promotora, ligou novamente e combinou um encontro. A v\u00edtima, ent\u00e3o, avisou \u00e0 sua mulher que iria ver uma carga de lenha. Por volta das 9h, conforme mostrou a promotora aos jurados, a v\u00edtima retornou a liga\u00e7\u00e3o para o acusado, \u201ctalvez para saber se o executor estava chegando ou iria demorar\u201d.<br>De acordo com a promotora, j\u00e1 no local combinado, para ver a suposta lenha, Leandro foi na frente e o executor atr\u00e1s. Foi neste momento que o executor sacou a arma e atirou na cabe\u00e7a da v\u00edtima, por tr\u00e1s. Depois, deu mais dois tiros, tamb\u00e9m na cabe\u00e7a.<br>Ap\u00f3s o crime, segundo a acusa\u00e7\u00e3o, mandante e executor teriam se encontrado pessoalmente, mais uma vez, quando o executor teria recebido o valor pelo crime em esp\u00e9cie e devolvido a arma. Ap\u00f3s, segundo o MP, ele teria destru\u00eddo o chip usado para entrar em contato com a v\u00edtima e voltado a utilizar outro chip no seu telefone normalmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Executor teria confessado o crime<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a acusa\u00e7\u00e3o, a Pol\u00edcia Civil tra\u00e7ou v\u00e1rias linhas de investiga\u00e7\u00e3o. A principal delas foi desvendar quem era a pessoa que ligou tantas vezes para a v\u00edtima oferecendo uma carga de lenha. Foi ent\u00e3o que chegou ao nome de quem teria sido cadastrado o chip que fez as liga\u00e7\u00f5es, um rapaz que teria sido colega de trabalho do acusado. Junto ao nome do titular do chip, a Pol\u00edcia Civil tamb\u00e9m chegou ao nome do propriet\u00e1rio do telefone pelo IMEI (International Mobile Equipment Identity), um n\u00famero \u00fanico de identifica\u00e7\u00e3o de um celular, como uma impress\u00e3o digital do aparelho, que estava cadastrado no nome do acusado de ser o executor.<br>Na Delegacia de Pol\u00edcia, de acordo com a acusa\u00e7\u00e3o, o executor, ao ser exposto \u00e0s provas, teria confessado o crime com detalhes e indicado o homem de 54 anos como sendo o mandante do crime. Em sua confiss\u00e3o, segundo a acusa\u00e7\u00e3o, o homem afirmou que estava passando por dificuldades financeiras e, por isso, teria aceitado o valor oferecido para cometer o crime.<br>A acusa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m mostrou aos jurados liga\u00e7\u00f5es entre o acusado de ser o mandante e o acusado de ser o executor. Mostrou, ainda, o depoimento de um amigo do suposto executor, que, na Delegacia de Pol\u00edcia, teria confirmado a vers\u00e3o do acusado, de que teria matado Leandro por dinheiro.<br>Diante das provas, a promotora pediu a condena\u00e7\u00e3o dos dois acusados por homic\u00eddio duplamente qualificado, por motivo torpe e com recursos que dificultaram a defesa da v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Defesas alegaram negativa de autoria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A defesa do acusado de ser o executor foi feita pela advogada Juliana de Paula. Ela afirmou que seu cliente n\u00e3o cometeu crime algum e s\u00f3 estava sentado no banco dos r\u00e9us por ser pobre e gari. Que em seu depoimento n\u00e3o foram respeitados os seus direitos, que na Delegacia de Pol\u00edcia ele estava \u201cdesassistido, despreparado, amea\u00e7ado, com medo e sozinho.\u201d Al\u00e9m disso, segundo a advogada, a delegada teria chamado um advogado para dar \u201clegalidade\u201d ao depoimento ap\u00f3s a suposta confiss\u00e3o, e que o seu cliente s\u00f3 viu o profissional que assinou o depoimento quando estava entrando no \u201ccambur\u00e3o\u201d para ser levado ao pres\u00eddio, ou seja \u201cele sequer esteve presente no depoimento\u201d.<br>A advogada afirmou que seu cliente n\u00e3o confessou crime algum e que tudo isso foi um \u201cabsurdo, um crime\u201d e que n\u00e3o se poderia confiar num depoimento feito desta forma.<br>A advogada disse, ainda, que as liga\u00e7\u00f5es feitas para a v\u00edtima eram para pedir emprego, pois seu cliente estava desempregado naquela \u00e9poca. Disse, ainda, que as v\u00e1rias liga\u00e7\u00f5es eram porque a maioria delas n\u00e3o completava, conforme mostrou aos jurados. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 troca do chip de seu telefone, o acusado alegou que eram para ele conversar com outra mulher e que teria feito isso para sua companheira n\u00e3o ficar sabendo.<br>A defesa do acusado de ser o mandante foi feita pelos advogados Sandro Guaragni e Marcela Jantsch. Garagni sustentou que seu cliente tamb\u00e9m era inocente, que n\u00e3o desejava mal a Leandro e, portanto, n\u00e3o teria motivos para querer a sua morte. Que n\u00e3o havia provas judicializadas contra o seu cliente e que o acusado de ser o executor, j\u00e1 em ju\u00edzo, teria dito que ele e o seu cliente n\u00e3o tinham rela\u00e7\u00e3o alguma com o crime.<br>Guaragni disse, ainda, que o advogado que assinou o depoimento do acusado da execu\u00e7\u00e3o na Delegacia, seis dias depois, ajuizou uma procura\u00e7\u00e3o para ser assistente de acusa\u00e7\u00e3o deste crime, defendendo os interesses da esposa da v\u00edtima e que, anteriormente, j\u00e1 havia atuado como advogado da vi\u00fava. E que isso era um verdadeiro absurdo, no que chamou de \u201cesquizofrenia processual\u201d.<br>Al\u00e9m disso, o advogado disse que n\u00e3o se podia confiar neste depoimento, na forma como ele foi tomado, e que essa suposta confiss\u00e3o era a \u00fanica prova que a acusa\u00e7\u00e3o tinha contra o seu cliente. O advogado afirmou, ainda, que a fam\u00edlia da v\u00edtima apontou v\u00e1rios suspeitos e que seu cliente, em momento algum, esteve entre estes nomes. E que era absurdo o motivo do crime apresentado pela acusa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que era uma \u00e1rea de terras pequena, que valeria R$ 10 mil ou menos, e que n\u00e3o faria sentido pagar R$ 5 mil por isso.<br>Depois de dois dias de julgamento, a sess\u00e3o do j\u00fari, presidido pelo Juiz de Direito Bruno Polido Bellonci, titular da 1\u00aa Vara Judicial da Comarca de Taquari, chegou ao fim por volta das 18h da sexta-feira, dia 11. O corpo de jurados, formado por seis mulheres e um homem, acatou a tese das defesas e, por 4 a 3, absolveu os acusados do crime de homic\u00eddio duplamente qualificado. Os r\u00e9us estavam presos desde julho de 2023. A decis\u00e3o cabe recurso e, segundo a promotora Lunara Shigueko Andrade Yamasaki, o MP vai recorrer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um homic\u00eddio, ocorrido no dia 30 de abril de 2023, na localidade de Amoras, foi julgado na quinta e sexta-feira, dias 10 e 11, em sess\u00e3o de j\u00fari popular, no F\u00f3rum de Taquari. 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