{"id":22534,"date":"2024-09-23T11:01:18","date_gmt":"2024-09-23T11:01:18","guid":{"rendered":"https:\/\/ofatotaquari.com.br\/novo\/?p=22534"},"modified":"2024-09-23T11:01:18","modified_gmt":"2024-09-23T11:01:18","slug":"homem-e-condenado-a-22-anos-de-prisao-por-tentativa-de-feminicidio-em-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ofatotaquari.com.br\/ofato2\/homem-e-condenado-a-22-anos-de-prisao-por-tentativa-de-feminicidio-em-2022\/","title":{"rendered":"Homem \u00e9 condenado a 22 anos de pris\u00e3o por tentativa de feminic\u00eddio em 2022"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma tentativa de feminic\u00eddio, que ocorreu no dia 1\u00ba de mar\u00e7o de 2022, no bairro Leo Alvim Faller, em Taquari, foi julgada na \u00faltima segunda-feira, dia 16, em sess\u00e3o de j\u00fari popular, no F\u00f3rum de Taquari. Valdair da Silva Souza, 30 anos, foi considerado culpado pelo corpo de jurados de atentar contra a vida de sua ex-companheira, de 34 anos, que estava gr\u00e1vida, e foi condenado a 22 anos de pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tribunal do j\u00fari durou mais de 10 horas. Conforme depoimento da v\u00edtima e a acusa\u00e7\u00e3o, feita pelo promotor Rafael Wobeto Pinter, no dia dos fatos, 1\u00ba de mar\u00e7o de 2022, a v\u00edtima estava em sua casa, no bairro Leo Alvim Faller, com quatro crian\u00e7as, entre 7 e 14 anos, dois filhos seus e dois sobrinhos. Por volta das 22h, o r\u00e9u teria entrado na casa utilizando uma c\u00f3pia da chave, empurrado um sof\u00e1 que trancava a porta e partido para cima da v\u00edtima, a pegado pela nuca e desferido golpe de faca em seu pesco\u00e7o, ocasionando, segundo a acusa\u00e7\u00e3o, um corte contuso e profundo na regi\u00e3o. Durante a confus\u00e3o, um filho da v\u00edtima, de 8 anos, teria tentado defender a sua m\u00e3e com um cabo de vassoura. A filha mais velha da v\u00edtima teria sa\u00eddo para a rua e gritado por socorro a vizinhos e familiares, que moravam ao redor. Ainda segundo a acusa\u00e7\u00e3o e a pr\u00f3pria v\u00edtima, o r\u00e9u teria sa\u00eddo na rua e voltado, momento em que teria tentado cravar a faca na barriga da mulher, que estava gr\u00e1vida de seis meses. Contudo, a mulher teria conseguido se defender da nova agress\u00e3o, que teria lhe causado cortes nos dedos e no antebra\u00e7o. Ap\u00f3s, o r\u00e9u teria fugido e deixado para tr\u00e1s a faca.<br>Segundo depoimento da v\u00edtima e testemunhas de acusa\u00e7\u00e3o, Valdair era muito ciumento e n\u00e3o deixava a v\u00edtima sair de casa, inclusive, para ir na casa das irm\u00e3s. Ele tamb\u00e9m desconfiava da paternidade da crian\u00e7a que a v\u00edtima esperava. O motivo da tentativa de feminic\u00eddio seria o fim do relacionamento, uma semana antes do crime, tamb\u00e9m motivado por viol\u00eancia dom\u00e9stica. Segundo a acusa\u00e7\u00e3o, no dia 23 de fevereiro, o r\u00e9u j\u00e1 teria agredido a mulher, dando-lhe um golpe mata-le\u00e3o e apertado a sua barriga, tamb\u00e9m por causa de ci\u00fames. Devido \u00e0 agress\u00e3o, a mulher foi socorrida por familiares, que chamaram a Brigada Militar. Nessa ocasi\u00e3o, foi registrada ocorr\u00eancia e solicitadas medidas protetivas. Portanto, no dia do crime, Valdair estava proibido de chegar perto da v\u00edtima.<br>Por tudo isso e pelos agravantes de o crime ter sido cometido na frente de descendentes da v\u00edtima, o promotor pediu aos jurados a condena\u00e7\u00e3o do r\u00e9u por tentativa de feminic\u00eddio qualificado, por motivo torpe e com recursos que dificultaram a defesa da v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Defesa alegou negativa de autoria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A defesa de Valdair foi feita pelas advogadas Juliana de Paula e Priscila Lemos. De acordo com a defesa e o depoimento do r\u00e9u, n\u00e3o foi ele quem teria causado as les\u00f5es na v\u00edtima, apesar de os depoimentos de todas as testemunhas dizerem o contr\u00e1rio. Segundo a defesa, todas as testemunhas diziam que teria sido Valdair para proteger os verdadeiros agressores, dois irm\u00e3os da v\u00edtima, que teriam armado uma emboscada para o r\u00e9u. De acordo com a vers\u00e3o de Valdair, ele teria ido \u00e0 casa da mulher a convite dela. J\u00e1 estaria na casa e, inclusive, teria comido uma sobremesa feita por ela. Quando iam dormir, dois irm\u00e3os da v\u00edtima teriam invadido a casa e um deles investido contra o r\u00e9u que, ao se defender, teria sido atingido em um dos bra\u00e7os. Valdair contou que, ao ver que estava perdendo muito sangue, conseguiu fugir pela porta, onde um segundo irm\u00e3o da mulher estava. Ap\u00f3s, teria embarcado em seu carro e fugido para Taba\u00ed, onde foi socorrido por um amigo. Ele disse que o motivo de os irm\u00e3os da mulher quererem mat\u00e1-lo era o fato de ele n\u00e3o aceitar que usassem drogas no terreno onde ficava a casa da mulher. O r\u00e9u tamb\u00e9m afirmou que a v\u00edtima era muito ciumenta e n\u00e3o deixava ele ir, inclusive, na casa de seus pais, que em momento algum quis matar a mulher e que n\u00e3o teria motivo para isso, at\u00e9 porque ela esperava um filho seu.<br>Ao ser confrontado pela acusa\u00e7\u00e3o, de qual era o motivo de ele n\u00e3o ter apresentado a vers\u00e3o de que era v\u00edtima dos irm\u00e3os da mulher, inclusive quando se apresentou na Pol\u00edcia Civil, o r\u00e9u disse que se reservou o direito constitucional de permanecer em sil\u00eancio.<br>A defesa de Valdair questionou o trabalho de investiga\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Civil, a falta de per\u00edcia, de exames de DNA e de digitais na faca encontrada na cena do crime e as mudan\u00e7as de vers\u00f5es da v\u00edtima em seus depoimentos no curso do processo, que ora dizia ter sido atacada na sala, ora na cama, entre outros pontos. A defesa questionou, ainda, a diferen\u00e7a de horas desde a agress\u00e3o, \u00e0s 22h, e a entrada da v\u00edtima no hospital, \u00e0 00h45min, muito tempo depois para quem disse estar perdendo muito sangue.<br>A defesa afirmou que Valdair n\u00e3o podia provar que foi convidado pela mulher para ir at\u00e9 \u00e0 casa porque o seu celular, dias ap\u00f3s o crime, foi entregue a uma cunhada da v\u00edtima, que seria mulher do irm\u00e3o acusado pela defesa de agredir Valdair. Ela teria formatado o telefone e apagado as conversas para acobertar o irm\u00e3o da v\u00edtima. Al\u00e9m disso, a defesa questionou o fato de a v\u00edtima n\u00e3o ter ido fazer per\u00edcia no ferimento. Segundo a defesa, se ela fosse \u00e0 per\u00edcia, qualquer perito confirmaria que a les\u00e3o n\u00e3o teria sido grave e n\u00e3o teria causado perigo de morte. Conforme a defesa e o r\u00e9u, a v\u00edtima teria sofrido as les\u00f5es no momento em que o irm\u00e3o dela teria investido contra Valdair.<br>Ao final do j\u00fari, o corpo de jurados acatou a tese da acusa\u00e7\u00e3o e considerou Valdair culpado pela tentativa de feminic\u00eddio. A senten\u00e7a foi proferida pela ju\u00edza Bruna Moreira Hoff, que fixou a pena definitiva do r\u00e9u em 22 anos em regime fechado. A decis\u00e3o cabe recurso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma tentativa de feminic\u00eddio, que ocorreu no dia 1\u00ba de mar\u00e7o de 2022, no bairro Leo Alvim Faller, em Taquari, foi julgada na \u00faltima segunda-feira, dia 16, em sess\u00e3o de j\u00fari popular, no F\u00f3rum de Taquari. 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