{"id":15916,"date":"2021-05-10T12:35:52","date_gmt":"2021-05-10T12:35:52","guid":{"rendered":"http:\/\/ofatotaquari.com.br\/novo\/?p=15916"},"modified":"2021-05-10T12:35:52","modified_gmt":"2021-05-10T12:35:52","slug":"a-luta-da-mae-inicia-antes-do-nascimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ofatotaquari.com.br\/ofato2\/a-luta-da-mae-inicia-antes-do-nascimento\/","title":{"rendered":"A luta da m\u00e3e inicia antes do nascimento"},"content":{"rendered":"<p>Ter um filho era o sonho da enfermeira Fernanda dos Santos Ribeiro, 38 anos,e do esposo, Jos\u00e9 Lu\u00eds da Rosa Pereira, 41 anos, que \u00e9 t\u00e9cnico em manuten\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, as primeiras tentativas foram frustradas com dois abortos espont\u00e2neos. Buscando preparar-se para uma terceira gesta\u00e7\u00e3o, ela decidiu investigar qual seria a causa dos insucessos. \u201cQueria ter uma gravidez tranquila e n\u00e3o passar por aquilo novamente\u201d, conta.<\/p>\n<p>Fez v\u00e1rios exames e descobriu que tinha trombofilia, uma tend\u00eancia \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de trombos ou co\u00e1gulos no sangue, e que teria que fazer inje\u00e7\u00f5es di\u00e1rias, at\u00e9 60 dias depois do parto, porque essa muta\u00e7\u00e3o acarretava nos abortos. Fez o tratamento, tomou metilfolato para o beb\u00ea n\u00e3o ter problemas de sa\u00fade.<br \/>\nEm 2019, soube que estava gr\u00e1vida novamente e com 12 semanas, que seria m\u00e3e de uma menina, \u00e0 qual deu o nome de Laura, mas o m\u00e9dico pediu um rastreamento cromoss\u00f4mico, porque Fernanda estava com uma idade considerada avan\u00e7ada para a gesta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nFoi ent\u00e3o que soube que o beb\u00ea tinha mielomeningocele, mais conhecida como espinha b\u00edfida, que \u00e9 um defeito cong\u00eanito no fechamento do tubo neural do beb\u00ea, no qual os ossos da coluna n\u00e3o se formam completamente. \u201cVi que havia algo errado quando pedi para o meu pai pegar o resultado do exame, em Montenegro, e n\u00e3o quiseram entregar, pediram pelos pais da crian\u00e7a e eu pressentia que tinha alguma coisa\u201d, lembra Fernanda.Com o diagn\u00f3stico da filha nas m\u00e3os, ficou desesperada. \u201cEu sabia da gravidade e a primeira coisa que pensava era nas sequelas disso e de como seria a vida da crian\u00e7a. Fiquei uns tr\u00eas dias bem mal, mas depois vi que tinha que correr atr\u00e1s.\u201d<br \/>\nO resultado daquele exame chegou numa sexta-feira e os dias seguintes foram todos dedicados \u00e0 pesquisa sobre o problema. \u201cEntrei num grupo de m\u00e3es e consegui o contato de um m\u00e9dico de S\u00e3o Paulo, porque n\u00e3o tem no Rio Grande do Sul, que usa uma t\u00e9cnica intermedi\u00e1ria, arriscada, mas com muito resultado para o beb\u00ea\u201d, recorda.<\/p>\n<p><strong>Laura passou por cirurgia na coluna quando ainda estava no \u00fatero da m\u00e3e<\/strong><\/p>\n<p>No caso de Laura, a medula e os nervos saem do canal, ficando em uma bolsinha exposta (fora da prote\u00e7\u00e3o \u00f3ssea). Como a pele do beb\u00ea \u00e9 muito fina, o l\u00edquido amni\u00f3tico come\u00e7a a prejudicar todas as inerva\u00e7\u00f5es. \u201cNunca se sabe qual inerva\u00e7\u00e3o vai pegar e, por causa disso, o l\u00edquor, que \u00e9 um l\u00edquido cerebral, sai e muda todo o aspecto cerebral. Ela poderia ter, al\u00e9m de outros, a S\u00edndrome de Chiari, dependente de respirador\u201d, conta a m\u00e3e.<br \/>\nCome\u00e7ou ent\u00e3o a corrida contra o tempo e pela busca dos recursos. Mesmo com as limita\u00e7\u00f5es financeiras, o casal optou pela cirurgia intrauterina, porque daria melhor qualidade de vida para o beb\u00ea, podendo, ainda, reverter a s\u00edndrome de Chiari e reduzir a les\u00e3o dos nervos, no fechamento da coluna, com a regenera\u00e7\u00e3o e, depois, fisioterapia.<br \/>\n\u201cN\u00e3o sab\u00edamos como fazer porque n\u00e3o t\u00ednhamos o dinheiro para a cirurgia na rede particular. Conseguimos o dinheiro com a fam\u00edlia e amigos e fomos at\u00e9 S\u00e3o Paulo\u201d, conta.<br \/>\nCom 22 semanas de gesta\u00e7\u00e3o, Fernanda passou pela cirurgia, no dia 23 de dezembro de 2019, \u00e0s 10 horas. A vida da m\u00e3e tamb\u00e9m estava em risco. Para fazer o procedimento, foi feito um corte no abd\u00f4men, maior do que o de uma cesariana e retirado o \u00fatero. O beb\u00ea passou por um ultrassom, que localizou a les\u00e3o na espinha dorsal. Cortaram o \u00fatero, tiraram o l\u00edquido amni\u00f3tico, anestesiaram a pequena e o neurologista fez a minuciosa cirurgia. A beb\u00ea pesava 600 gramas e tinha cerca de 15 cent\u00edmetros. Ap\u00f3s o procedimento, foi colocado soro no lugar do l\u00edquido amni\u00f3tico, fechado o \u00fatero e colocado dentro do organismo de Fernanda. Todo o processo levou cerca de uma hora e meia. Foram dois dias na UTI e mais seis no quarto, junto do esposo. \u201cNo p\u00f3s-operat\u00f3rio, j\u00e1 pudemos ver que a S\u00edndrome de Chiari estava praticamente revertida e que n\u00e3o teria problema para respirar\u201d, comemora a m\u00e3e. A gesta\u00e7\u00e3o seguiu com muito repouso e cuidados, pois havia ainda o risco de ruptura uterina ou de o beb\u00ea nascer prematuro. \u201cO p\u00f3s-operat\u00f3rio foi bem complicado. Eu tinha dores horr\u00edveis, parecia que o beb\u00ea ia nascer e ela mexia muito, com dores tamb\u00e9m.\u201d<br \/>\nEm dois de abril de 2020, Laura nasceu com 36 semanas de gesta\u00e7\u00e3o, sem a necessidade de respirador. Aos quatro meses, ela passou por uma cirurgia na cabe\u00e7a devido \u00e0 dilata\u00e7\u00e3o do ventr\u00edculo, teve hidrocefalia compensada.<br \/>\nHoje, com um ano, a pequena faz fisioterapia e estimula\u00e7\u00e3o precoce e est\u00e1 quase engatinhando. \u201cEla nasceu com uma cirurgia na coluna e ficou com gesso. Os m\u00e9dicos acham que ela est\u00e1 muito bem para o que teve e consideram um milagre pelo jeito que poderia ter sido. Eu sempre acreditei que ela ficaria bem, tinha muita f\u00e9. Or\u00e1vamos muito. Uma m\u00e9dica me disse: tu tens que acreditar em Deus, \u00e9 dele a \u00faltima palavra\u201d, comemora a m\u00e3e.<br \/>\nPara Fernanda, a maternidade, com todos os desafios a que foi submetida, colocando sua vida em risco, \u00e9 tudo. \u201cEra muita ang\u00fastia, foi muito pesado e sacrificante. Tinham dias que eu me perguntava por que comigo, mas \u00e9 que n\u00e3o adianta, as coisas aparecem e a gente tem que lutar. A maternidade para mim \u00e9 tudo. Eu me completei, acho que amadureci muito, a gente aprende a ver as coisas com outros olhos, aprende o que \u00e9 o amor incondicional. N\u00e3o h\u00e1 mais que a gente ame do que a vida de um filho e, realmente, por um filho a gente faz tudo. Eu pensava primeiro nela. Se eu morresse, morreria pela minha filha. Tinha medo de acontecer alguma coisa com ela na cirurgia, mas tinha f\u00e9 e pensava que Deus n\u00e3o faria eu ir at\u00e9 S\u00e3o Paulo pra morrer l\u00e1, era porque eu tinha que passar por isso\u201d, conta. Fernanda salienta a import\u00e2ncia das consultas de pr\u00e9-natal, que possibilitaram detectar a situa\u00e7\u00e3o e a buscar alternativas para uma melhor qualidade de vida a Laura, e a colabora\u00e7\u00e3o que teve dos amigos e familiares. \u201cN\u00e3o me arrependo de ter engravidado e faria tudo de novo. Ela veio para mim e eu tinha que passar por isso, ela me completou muito.\u201d<br \/>\nO valor gasto pelo fam\u00edlia est\u00e1 estimado em R$ 20 mil. \u201cN\u00e3o t\u00ednhamos de onde tirar tanto dinheiro e de uma hora para outra. Usamos tudo o que t\u00ednhamos. Tivemos a ajuda de familiares e amigos e nunca vou ter como agradecer a todos\u201d, destaca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ter um filho era o sonho da enfermeira Fernanda dos Santos Ribeiro, 38 anos,e do esposo, Jos\u00e9 Lu\u00eds da Rosa Pereira, 41 anos, que \u00e9 t\u00e9cnico em manuten\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, as primeiras tentativas foram frustradas com dois abortos espont\u00e2neos. 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