{"id":12577,"date":"2020-05-01T12:58:41","date_gmt":"2020-05-01T12:58:41","guid":{"rendered":"http:\/\/ofatotaquari.com.br\/novo\/?p=12577"},"modified":"2020-05-01T12:58:41","modified_gmt":"2020-05-01T12:58:41","slug":"beintec-consegue-licenca-para-iniciar-transformacao-de-lixo-em-combustivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ofatotaquari.com.br\/ofato2\/beintec-consegue-licenca-para-iniciar-transformacao-de-lixo-em-combustivel\/","title":{"rendered":"Beintec consegue licen\u00e7a para iniciar transforma\u00e7\u00e3o de lixo em combust\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p>Uma licen\u00e7a ambiental que pode mudar a realidade da empresa taquariense Beintec e da fabrica\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis no mundo foi concedida pela Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (Fepam) neste m\u00eas. Aguardada desde 2015, a documenta\u00e7\u00e3o autoriza a empresa a iniciar a opera\u00e7\u00e3o de transforma\u00e7\u00e3o de lixo em \u00f3leo diesel, gasolina e outros derivados do petr\u00f3leo. Segundo o desenvolvedor do projeto, Felipe Bender, 39 anos, o sistema \u00e9 inovador mundialmente e foi patenteado em 2009.<\/p>\n<p>A primeira unidade experimental, que operar\u00e1 com quatro toneladas por dia em Taquari, tamb\u00e9m tem como s\u00f3cios o qu\u00edmico industrial Ricardo Rocha Renner, 40 anos, que iniciou a parceria com Felipe em 2015 ,como t\u00e9cnico respons\u00e1vel, o engenheiro ambiental Marcondes Mafaciolli, 37 anos, respons\u00e1vel t\u00e9cnico pelo empreendimento, e o m\u00e9dico veterin\u00e1rio Clovis Schenk Bavaresco, 60 anos, que tamb\u00e9m ingressaram na sociedade em 2015 na busca pela licen\u00e7a ambiental. Todos s\u00e3o taquarienses. \u201cA empresa Beintec est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para novas parcerias com investidores que queiram participar deste novo ramo de empreendimento de sucesso\u201d, informam os s\u00f3cios.<br \/>\nO maquin\u00e1rio piloto utilizado foi totalmente desenvolvido pela empresa de Felipe Bender e \u00e9 capaz de transformar pl\u00e1stico, borracha, res\u00edduos oleosos e hospitalares, al\u00e9m de outros materiais, em \u00f3leo diesel, gasolina, querosene e nafta, usada em ind\u00fastrias do ramo petroqu\u00edmico e como combust\u00edvel sint\u00e9tico alternativo. O sistema tamb\u00e9m consegue processar os res\u00edduos municipais, proporcionando, por exemplo, a solu\u00e7\u00e3o de problemas como do antigo lix\u00e3o de Taquari, que acumula grande quantidade de materiais em meio a montanhas de terra e vegeta\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de trazer solu\u00e7\u00e3o para o lixo, a tecnologia pode proporcionar autonomia para \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos em combust\u00edveis e energia el\u00e9trica, provenientes dos res\u00edduos.<br \/>\nSegundo Felipe, o procedimento \u00e9 mais barato do que o convencional. \u201cO custo de produ\u00e7\u00e3o fica t\u00e3o baixo que sai praticamente de gra\u00e7a a produ\u00e7\u00e3o da gasolina, porque para eu chegar ao diesel, eu tenho que craquear a gasolina primeiro\u201d, conta. O combust\u00edvel j\u00e1 foi testado em ve\u00edculos e laborat\u00f3rios e, segundo o desenvolvedor, tem rendimento acima da m\u00e9dia do convencional. O produto final tamb\u00e9m tem menos compostos poluentes do que o vendido em postos de combust\u00edveis,\u00a0 e a fabrica\u00e7\u00e3o n\u00e3o gera res\u00edduos\u00a0 p\u00f3s-processamento na recupera\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica.<\/p>\n<p><strong>O sistema<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o desenvolvedor, at\u00e9 o momento, a \u00fanica forma de transforma\u00e7\u00e3o de lixo em combust\u00edvel no mundo \u00e9 a pir\u00f3lise t\u00e9rmica convencional, que utiliza temperaturas entre 600\u00b0 e 800\u00b0 e chega a um \u00f3leo pesado, uma esp\u00e9cie de graxa, utilizada como combust\u00edvel de caldeiras. O produto gerado ainda \u00e9 altamente poluente e o procedimento de processamento, por utilizar altas temperaturas, \u00e9 arriscado. O sistema criado por Felipe cont\u00e9m catalisadores especialmente desenvolvidos, capazes de trabalhar em temperaturas de 200\u00b0 a 300\u00b0, eliminando os riscos e possibilitando o controle do processo para obten\u00e7\u00e3o de variados tipos de combust\u00edveis. Segundo os s\u00f3cios, este novo processo desenvolvido pela Beintec, em compara\u00e7\u00e3o a um simples aterro urbano, gera 20 vezes menos\u00a0 poluentes e, diante das normas do CONAMA de emiss\u00f5es atmosf\u00e9ricas, o processo n\u00e3o chegou a 1% dos poluentes permitidos em m\u00e9dia estipulada para este tipo de processamento t\u00e9rmico. \u201cOs res\u00edduos chegam e, dependendo do tipo, s\u00e3o triturados ou n\u00e3o. Depois s\u00e3o\u00a0 misturados com um tipo de catalisador homog\u00eaneo, que \u00e9 o que inicia o processo e transforma esses res\u00edduos em vapor. O vapor passa por um outro catalizador, heterog\u00eaneo,\u00a0 onde se consegue manipular o tamanho da cadeia hidrocarb\u00f4nica desejada, se quero mais gasolina, que vai ser uma cadeia com menos hidrocarbono, ou mais \u00f3leo diesel, que vai sair uma cadeia maior de hidrocarbono. Eu consigo manipular o tamanho das cadeias para depois, na hora do craqueamento catal\u00edtico, eu conseguir tirar mais diesel, gasolina, querosene ou nafta\u201d, explica o desenvolvedor.<br \/>\nO qu\u00edmico industrial, mestre em sistemas e processos industriais, Ricardo Renner, exemplifica que o sistema \u00e9 o inverso da fabrica\u00e7\u00e3o de muitos materiais de uso industrial, comercial e dom\u00e9stico. Muitos desses materiais, ap\u00f3s utiliza\u00e7\u00e3o, ficam contaminados e apresentam periculosidade, sendo ent\u00e3o\u00a0 mat\u00e9ria-prima nesse processo de transforma\u00e7\u00e3o. \u201cAcaba sendo um ciclo. A ind\u00fastria parte do \u00f3leo que \u00e9 extra\u00eddo da natureza para poder gerar o pl\u00e1stico e os outros materiais. O que o Felipe fez, utilizando o processo termoqu\u00edmico catal\u00edtico ajustado de forma totalmente inovadora, foi processar os produtos s\u00f3lidos, fazendo um processo de revers\u00e3o, digamos assim, obtendo como resultado os hidrocarbonetos, \u00f3leo, g\u00e1s e carv\u00e3o, que s\u00e3o produtos com alto valor comercial\u201d, relata.<br \/>\nO engenheiro ambiental, mestre e doutorando em tecnologia ambiental, Marcondes Pacheco, destaca o benef\u00edcio que o projeto traz para o setor, em compara\u00e7\u00e3o com as formas convencionais de tratamento e disposi\u00e7\u00e3o final dos res\u00edduos. \u201cElas n\u00e3o eliminam o problema de fato, da quantidade gerada de res\u00edduos. Quando analisamos a autoclavagem, por exemplo, como alternativa tecnol\u00f3gica para o seu tratamen hojeto, continua existindo um passivo, reduzido \u00e9 claro, mas n\u00e3o elimina 100% o problema associado ao ac\u00famulo de res\u00edduos. Atrav\u00e9s da pir\u00f3lise catal\u00edtica, temos a convers\u00e3o total do passivo associado a estes materiais em coprodutos combust\u00edveis, possibilitando a revaloriza\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica dos mesmos, sem gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos p\u00f3s-processamento, ou problemas associados ao controle de emiss\u00f5es atmosf\u00e9ricas pela libera\u00e7\u00e3o de compostos t\u00f3xicos, como pode ocorrer na incinera\u00e7\u00e3o e no coprocessamento, controle este que na pir\u00f3lise catal\u00edtica demonstra-se t\u00e9cnica e \u00e9 operacionalmente mais f\u00e1cil de se realizar em virtude da reduzida emiss\u00e3o que apresenta\u201d, informa.<\/p>\n<p><strong>A licen\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Desde 2015 cumprindo quest\u00f5es burocr\u00e1ticas para obten\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a, a Beintec precisou atender a diversas exig\u00eancias, como a certifica\u00e7\u00e3o de uma universidade sobre o procedimento criado pela empresa. \u201cComo a tecnologia \u00e9 muito inovadora, n\u00f3s precisamos provar que tudo que est\u00e1vamos falando era verdade, atrav\u00e9s de laudos, universidade certificando tudo\u201d, conta Felipe. A documenta\u00e7\u00e3o concede autoriza\u00e7\u00e3o para operar em car\u00e1ter experimental por um ano, com capacidade di\u00e1ria de processamento de cinco toneladas de lixo, chegando a cerca de quatro toneladas de combust\u00edvel. Os equipamentos ainda passar\u00e3o por vistoria da Fepam durante as primeiras fabrica\u00e7\u00f5es no estado do Rio Grande do Sul. Nesse per\u00edodo, a empresa pretende utilizar os res\u00edduos hospitalares da regi\u00e3o e j\u00e1 tem contatos com hospitais de diversos munic\u00edpios e da Capital,\u00a0 para\u00a0 vender a pre\u00e7o baixo o combust\u00edvel a ser utilizado em ambul\u00e2ncias e demais ve\u00edculos das institui\u00e7\u00f5es geradoras do res\u00edduo. Passado o per\u00edodo experimental, a licen\u00e7a de opera\u00e7\u00e3o da empresa passa para capacidade operacional de 80 toneladas por dia e \u00e9 v\u00e1lida por seis anos, podendo ser renovada. A Beintec tamb\u00e9m j\u00e1 busca novos licenciamentos com parceiros em S\u00e3o Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal e Mato Grosso.<br \/>\nA unidade da Beintec, situada na Rodovia Aleixo Rocha, foi constru\u00edda totalmente com investimento privado, com aux\u00edlio do pai de Felipe, o empres\u00e1rio J\u00falio Bender. Al\u00e9m desse projeto, a empresa atua no desenvolvimento de outras tecnologias, como gaseifica\u00e7\u00e3o, gera\u00e7\u00e3o de energia, tratamento de efluentes, combust\u00edveis alternativos, entre outras ideias de Felipe Bender. O cientista tem forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da engenharia mec\u00e2nica e engenharia automotiva e atua na qu\u00edmica como autodidata, tendo experi\u00eancia em laborat\u00f3rios de desenvolvimentos tecnol\u00f3gicos onde trabalhou em outros estados do Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma licen\u00e7a ambiental que pode mudar a realidade da empresa taquariense Beintec e da fabrica\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis no mundo foi concedida pela Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (Fepam) neste m\u00eas. Aguardada desde 2015, a documenta\u00e7\u00e3o autoriza a empresa a iniciar a opera\u00e7\u00e3o de transforma\u00e7\u00e3o de lixo em \u00f3leo diesel, gasolina e outros derivados do petr\u00f3leo. 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