A ex-modelo e advogada taquariense Francielli Costa, o marido, o delegado federal Luiz Roberto Ungaretti de Godoy, e as filhas Laura e Eva viveram dias de tensão nos Emirados Árabes Unidos após o país sofrer bombardeios atribuídos ao Irã no dia 28 de fevereiro. A família reside na França desde 2023, na condição de diplomatas, e estava no país em viagem de férias.
Segundo Francielli, a viagem havia sido planejada para celebrar o aniversário dela e do marido e também realizar um antigo sonho: conhecer Dubai. Para tornar o trajeto mais confortável para as filhas, a família decidiu dividir o percurso entre diferentes destinos.
O roteiro começou em Paris, de onde partiram no dia 22 de fevereiro para Budapeste, na Hungria, ali permanecendo por dois dias. Em seguida, viajaram para Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, onde conheceram a famosa mesquita e alguns pontos turísticos. Depois seguiram para Dubai, onde passaram três noites.
Após a estadia em Dubai, a família retornou a Abu Dhabi, de onde partiria o voo para Istambul, na Turquia. Antes da viagem, decidiram aproveitar as últimas horas na cidade e visitar o Louvre Abu Dhabi. Durante o passeio, ouviram um forte estrondo.
“Meu marido até brincou dizendo que parecia uma bomba, e eu pedi para ele parar com aquilo. Seguimos passeando, porque ninguém parecia alarmado e tudo estava aparentemente normal”, relatou Francielli.
Pouco depois, ao procurar informações na internet sobre outros locais para visitar, ela encontrou vídeos indicando que uma explosão havia ocorrido próximo à região da Marina, exatamente onde fica o museu. “Foi quando entendi que o estrondo que ouvimos era real”, contou.
Preocupados, decidiram retornar imediatamente ao hotel, localizado próximo ao aeroporto. Ainda naquela noite receberam a notícia de que o voo havia sido cancelado. Pouco tempo depois, os celulares da família emitiram um alerta com som de sirene orientando a população a evitar áreas abertas e permanecer longe de janelas.
“Quando recebemos o alerta, corremos para olhar pela janela e vimos mísseis sendo interceptados no céu. Um clarão seguido de explosões. Ficamos extremamente apreensivos”, relatou.
No dia seguinte, a família permaneceu dentro do hotel com as crianças, evitando sair. Diante da incerteza sobre quanto tempo a situação poderia durar, decidiram mudar para um hotel maior, onde as meninas pudessem circular com mais tranquilidade e que tivesse menos áreas envidraçadas.
A tentativa de retornar para casa também foi dificultada pelo grande número de voos cancelados. Segundo Francielli, a companhia aérea informou que a única possibilidade de embarque seria no dia 7 de março.
Com o passar dos dias, mensagens oficiais indicaram que a situação em Abu Dhabi estava controlada e que a rotina poderia voltar gradualmente ao normal. Mesmo assim, a família optou por fazer apenas passeios em locais fechados.
Entretanto, um dia antes do retorno, em 6 de março, novos ataques foram registrados, aumentando novamente a preocupação com o fechamento do espaço aéreo. Na manhã seguinte, a família recebeu a notícia que poderia retornar para casa, em um voo direto de Abu Dhabi para Paris.
“Na madrugada de sábado, finalmente conseguimos embarcar. Chegamos em Paris com segurança, graças a Deus. O voo teve que fazer uma rota diferente, passando pela África”, relatou Francielli.
Segundo ela, pouco depois da decolagem o espaço aéreo voltou a ser fechado. “Não sei até onde essa guerra pode chegar. As notícias ainda me deixam apreensiva. Mas uma coisa eu sei: minha fé foi renovada. Deus é bom o tempo todo. E agradeço a Ele por estarmos em casa”, concluiu.

