Feira do Livro de Taquari abre oficialmente ao público

A 10ª edição da Feira do Livro de Taquari teve início ontem, dia 14, com abertura dos espaços pela manhã. A cerimônia oficial ocorreu no início da tarde, com a presença do patrono Marcelo Miranda, autoridades e comunidade. O evento é realizado na Praça da Bandeira.

Durante o dia, o escritor e contador de histórias Eliandro Rocha conduziu atividades e Arthur Cortês realizou dinâmicas literárias, incentivando a criatividade e a interação do público com o universo da leitura.
Em entrevista ao Jornal O Fato o prefeito André Brito destacou a importância do evento para o incentivo à leitura e à formação dos estudantes. Segundo o prefeito, a feira representa um momento de valorização do livro e de estímulo para que crianças e jovens utilizem a leitura como ferramenta de conhecimento e desenvolvimento pessoal. André Brito ressaltou ainda o papel transformador dos livros na formação intelectual, no caráter e na cidadania. “O livro tem um importante poder transformador, de transformar vidas”, afirmou o prefeito.

Participação das escolas

A diretora da Escola Municipal Álvaro Haubert, Pricila Rosa Godoy, destacou a importância da participação dos alunos na Feira do Livro de Taquari como uma oportunidade de aprendizado, cultura e incentivo à leitura.
Segundo Pricila, a visita proporciona às crianças contato com diferentes livros, autores, histórias e atividades culturais, ampliando conhecimentos e despertando o interesse pelo universo literário. Ela ressaltou ainda que experiências fora da sala de aula tornam o aprendizado mais significativo e prazeroso.
A diretora também afirmou que a feira contribui para o desenvolvimento da linguagem, interpretação, imaginação e criatividade dos estudantes, além de fortalecer a formação de leitores críticos e participativos.
Conforme Pricila, o evento também promove a integração entre escola, alunos e comunidade, valorizando a educação e mostrando a importância dos livros como ferramenta de conhecimento, crescimento pessoal e transformação social.

Patrono fala de sua obra e origem

O patrono da Feira do Livro, jornalista taquariense Marcelo Miranda concedeu entrevista ao Jornal O Fato.

O Fato – Como é para você ser patrono da Feira do Livro?
Marcelo Miranda
– Recebo com profunda honra e um imenso senso de responsabilidade o convite para ser o patrono desta décima edição. É uma distinção que me toca pessoalmente e que conecta uma trajetória de busca pela palavra e pela identidade. O tema desta feira — “Açores: Mar de Letras, Ilhas de Histórias” — nos convida a um mergulho necessário. Ele nos instiga a resgatar a história da colonização açoriana, a valorizar as memórias e as tradições que moldaram a identidade deste solo. Esta Décima Feira do Livro de Taquari é um convite aberto para que cada um de nós entre neste mar de letras e encontre sua própria ilha de histórias. É um chamado para reconhecermos nossas raízes.

OF – Taquari é sua cidade natal e origem? Onde estudou?
MM
– Nasci em Taquari. Estudei até a quarta série na Escola Nardy de Farias Alvim. A partir da quinta a oitava série fui bolsista no Colégio Conceição. Naquela época já faltavam vagas em escola pública. Aos 16 anos, fui para Novo Hamburgo e depois Porto Alegre para trabalhar e continuar estudando.
Eu sou um homem negro de origem mestiça. Sou neto de mulher escravizada e do sinhô, loiro de olhos claros, dono de terras no Morro da Cabrita. Sempre carreguei comigo, com orgulho, a descendência africana que define minha história e minha pele. Mas há poucos anos, mesmo conhecendo a trajetória dos meus avós, descobri algo que ainda não havia compreendido plenamente: eu sou também de origem açoriana. Meu avô, o sinhô, era filho ou neto de açorianos, vindo dos Açores.
Essa descoberta foi como encontrar a peça que faltava em um quebra-cabeça que eu carregava desde a infância. Descendência africana e açoriana. Escravidão e colonização. Dor e resiliência. Tudo isso está entrelaçado na mesma história de Taquari, na mesma história que corre nas veias de cada um de nós. É neste “Mar de Letras” que minha “ilha de histórias” está sendo escrita. Fazendo aqui conexão com o tema da feira: “Açores: Mar de Letras, Ilhas de Histórias”

O Fato – E o livro Raízes Proibidas e residência literária na Casa de Cultura Mario Quintana?
MM
– O livro nasce de relatos que ouço desde menino. As memórias da vó, a mulher escravizada, as marcas do vô, o dono das terras. Histórias que guardo no peito e que agora ganham forma e voz em meu livro: “Raízes Proibidas”. É uma obra de ficção inspirada em fatos reais. É o resgate de memórias que foram silenciadas pelo tempo, de tradições que foram apagadas pela conveniência e de nomes que foram esquecidos pelo preconceito. É a transformação de uma ilha de história em um mar de letras acessível a todos.
Recentemente, tive a felicidade de ser selecionado entre centenas de escritores gaúchos para realizar uma residência literária na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, onde resido e trabalho atualmente. E o ponto fundamental que me levou a vencer essa seleção literária foi exatamente a narrativa sobre os meus avós, parte da história de Taquari e a história que todos nós compartilhamos, com suas luzes e sombras.

O Fato – E sobre a conexão com o Jornal o Fato e o trabalho como jornalista em Taquari?
MM
– Quando O Fato nasceu, eu estava morando e trabalhando em Novo Hamburgo. Em uma visita a Taquari encontrei o Rogério Pereira que me pediu para editar/revisar o jornal. Durante algum tempo, o pessoal me enviava por e-mail as notícias e eu editava e passava dicas para os jornalistas da época. Agora, tá aí com 25 anos e é um excelente veículo de comunicação.
Trabalhei com Rogério Pereira na Rádio Açoriana e Jornal Açoriano, de 1992 a 1994. Lembro de conversar com o garoto Rogério sobre colocarmos um jornal em Taquari. Mas ninguém tinha grana na época. E logo depois voltei a Novo Hamburgo. Já tinha trabalhado antes na Rádio e Jornal Açoriano em 1989/1990.

PROGRAMAÇÃO

15/05/2026 – Sexta-feira
8h – Abertura dos espaços
9h – Teatro “O Jogo do Tempo” – Luz e Cena
10h30 – Mar de Letras – Quiz Literário com Arthur Cortês
14h – Teatro “O Jogo do Tempo” – Luz e Cena
15h30 – Mar de Letras – Quiz Literário com Arthur Cortês
20h- Fechamento da Feira comercial

16/05/2026 – Sábado
8h – Abertura dos espaços
14h – Brinquedos infláveis e algodão doce
-Apresentação do Teatro da Cardo
15h – Apresentação de patinação Arthis Esporte e Expressão
16h – Apresentações CTG Pelego Branco
20h- Fechamento da Feira comercial

17/05/2026 – Domingo
10h – Abertura dos espaços
15h30 – Apresentação teatro “As Aventuras do Fusca à Velas” – Grupo Ueba
17h – Homenagem aos Patronos das edições anteriores da Feira e Premiação do Concurso Literário, com entrega de Medalhas.
18h – Fechamento da Feira comercial e encerramento da programação.

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