Suspeito de latrocínio em Brochier, quando menor, também foi apreendido por homicídio em Taquari

O homem, de 29 anos, que teria confessado o latrocínio (roubo seguido de morte) de um casal de idosos, no último dia 19 de fevereiro, em Brochier, é um velho conhecido das forças de segurança de Taquari. Em 2014, quando ainda era menor de idade, então com 17 anos, o homem foi apreendido pelo assassinato de Selma da Rosa, 32 anos, na Vila São Francisco, em Taquari.

O corpo de Selma foi encontrado por volta das 7h, no dia 12 de agosto de 2014, na construção de uma residência do Programa Minha Casa Minha Vida, na rua C da Vila São Francisco. A mulher, que se apresentava como Fernanda, estava parcialmente despida e com marcas roxas no pescoço.
Segundo relatos de testemunhas, a mulher teria sido vista no início da madrugada daquele dia caminhando com alguns rapazes em direção à rua onde ocorreu o fato. Ainda conforme testemunhas, as obras das residências do Minha Casa Minha Vida eram frequentadas por usuários de drogas durante a noite.
Segundo a delegada Betina Martins Caumo, a mulher foi vítima de homicídio por asfixia mecânica. Dois rapazes, menores de idade na época, foram apontados como os executores da mulher. E a motivação, ainda conforme a delegada, seria um desacerto durante a realização de um programa de cunho sexual. As partes estariam, de acordo com o apurado pela Polícia Civil, sob influência de entorpecentes. E um dos acusados do assassinato de Selma é o mesmo homem que é suspeito de ter cometido o latrocínio contra o casal de idosos, em Brochier, no último dia 19.
Segundo a delegada, o homem e seu comparsa foram apreendidos pela morte de Selma em 27 de agosto de 2014, 15 dias após o crime, cumpriram medida socioeducativa e, depois, foram postos em liberdade.
Após o assassinato de Selma, o suspeito do latrocínio em Brochier seguiu caminho no mundo do crime. De acordo com a delegada, três anos depois, em 2017, então com 20 anos, já tinha envolvimento em novas ocorrências no município. Entre os crimes que o homem é apontado pela Polícia estão roubo, tráfico de drogas, desacato, dano, posse de entorpecentes, lesão, ameaça, violação de domicílio e descumprimento de medidas protetivas.
O homem estava preso por um roubo cometido em Taquari e ganhou liberdade em 2024. Estava morando em Brochier, no Vale do Caí, há aproximadamente um ano, segundo a Polícia Civil.
O outro rapaz acusado da morte de Selma também continuou no mundo do crime e tem uma extensa ficha policial com furtos, roubo, estupro, pelo qual foi preso em flagrante, em agosto de 2018, tentativa de homicídio e tráfico de drogas. Segundo a delegada, ficou um bom período preso, mas está em liberdade desde março de 2025.

Motivação para morte de idosos seria dívida com aluguel

Natural de Taquari e ex-morador da Vila Pinheiros, o homem suspeito da morte do casal de idosos João Dormalino da Silva, 82 anos, e Doraci Alves da Silva, 79 anos, foi preso no dia dos assassinatos, 19, pela Brigada Militar (BM), em um alojamento de trabalhadores que atuam na produção de carvão e corte de lenha, em Brochier, e teria confessado o crime.
Na sexta-feira, dia 20, em entrevista coletiva, o delegado titular da Delegacia de Polícia de Brochier, Alex Edmundo Assmann, deu detalhes do latrocínio. Conforme Assmann, a motivação para o crime seria uma dívida de aluguel que o suspeito tinha com o casal de idosos, já que era inquilino das vítimas. A Polícia Civil apurou que João Dormalino já havia registrado ocorrência por ameaça contra o inquilino alguns dias antes, desavença motivada por dívida de aluguel. Conforme a investigação, o suspeito estaria com três meses de aluguel atrasado, além de débitos de água e luz. Diante da inadimplência, o idoso teria cortado o fornecimento de água e luz, o que teria intensificado o conflito.
Segundo Assmann, o suspeito prestou depoimento e confessou o crime. Ele relatou que o casal dormia no momento do ataque e que teria agredido as vítimas a coronhadas, com uma espingarda, que não teria sido localizada pela Polícia. Conforme a investigação, a idosa foi encontrada com as mãos amarradas, enquanto o idoso apresentava diversos ferimentos pelo corpo, principalmente no rosto.
Assmann disse que em uma das discussões em relação ao aluguel atrasado, um dia antes do crime, o suspeito chegou a dizer que iria embora, conforme testemunhas. Foi depois disso, segundo o delegado, que ele invadiu a casa das vítimas e cometeu os assassinatos. De acordo com Assmann, o suspeito é um sujeito com vasta ficha criminal, mas que os idosos não sabiam disso quando decidiram aceitá-lo na condição de inquilino.
Após os assassinatos, o suspeito teria roubado alguns eletrodomésticos e uma televisão, fugindo em um Volkswagen Gol, de propriedade das vítimas. Esse veículo foi encontrado horas depois do crime, incendiado, próximo ao local onde o suspeito foi preso pela BM. Aliás, foi por causa do veículo incendiado que a BM chegou ao conhecimento dos homicídios, já que foi até à casa do proprietário do Gol e encontrou o casal sem vida em cima de uma cama.
Brochier, que possui cerca de 5 mil habitantes, não registrava morte com violência desde 2019.

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